O Estupro Coletivo da Consciência Social

O ESTUPRO COLETIVO
da Consciência Social

10.160 Caracteres (Notas de Referência exclusas)

Obs: Este texto é uma versão estendida e aprofundada de uma postagem de 29/05/16 no Facebook, que já afirmava algo que vem sendo sistematicamente confirmado a cada novidade divulgada. Considerando o quanto o assunto é recente e sob constantes atualizações, informações novas poderiam alterar algumas interpretações aqui levantadas, embora eu duvide que isso aconteça no que há de mais importante.

Modéstia à parte, no que se refere a uma análise crítica, talvez ninguém tenha escrito mais sobre o conceito de Cultura de Estupro (que apelidei de Estuprismo) em português do que eu, ao longo de uma série de textos, em especial cinco deles exclusivamente relacionados ao tema.1

Portanto, é com conhecimento de causa que faço a seguinte declaração, que explicarei mais adiante: Sempre que houver feministas em peso alardeando alguma ocorrência de estupro, inevitavelmente apoiadas pela totalidade das organizações correlatas, promovendo passeatas e agitações urbanas e principalmente quando reverberadas com pleno apoio dos grandes órgãos de mídia inclusive internacionais, É Certo que se está diante de uma fraude.”

Ou um fato real será brutalmente hiperbolizado e radicalmente distorcido, ou mesmo será peça de absoluta ficção. E mesmo este último caso é infinitamente mais provável que uma exposição honesta da realidade.2

Quem quer que tenha visto o infame vídeo de 38 segundos que desencadeou o mais recente caso de comoção nacional em matéria de violência sexual pode concluir que há ao menos dois crimes evidentes, uma moça nua desacordada é tocada em suas partes íntimas, que são expostas de forma vexatória, e ainda que não tenha havido qualquer tipo de penetração, a Lei nº 12.015/2009 pode classificá-lo no mínimo como “Violação Sexual Mediante Fraude”, Artigo 215, ou mesmo como “Estupro”, Artigo 213, com o agravante do Parágrafo 1º devido a vítima ser menor de 18 anos, o que pode render até 12 anos de reclusão. Além disso a simples divulgação do vídeo em si é passível de punição ainda que a legislação para isso não tenha encontrado sua formalização definitiva.

Foram corretos os que tomaram a providência de denunciar o vídeo às autoridades, sendo bom lembrar que isso não foi feito por feministas, que não perdem uma oportunidade de mentir em proveito próprio. Elas só entraram em cena após a denúncia ter sido formalizada.3

No entanto o “estupro” em si, já contando com um vasto alargamento do conceito original ainda não apreendido pela maioria da população, só seria aplicável a um, e somente um único, perpetrador, que de fato aparece explicitamente bolinando a moça inconsciente, além de fazer declarações vexaminosas. A partir daí, e até aí, ter havido um estupro coletivo com “mais de 30 homens”, como diz o bolinador no próprio vídeo, pode mesmo ser completamente fictício visto ter como única evidência sua própria palavra dita num contexto não somente informal, jocoso e obsceno, que em nenhuma outra situação seria aceita como uma confissão com valor de jurídico de prova, ainda que sirva como indício.

Então entra o depoimento posterior da moça que alegou o cabalístico e exato número de 33 abusadores contados criteriosamente por ela ainda que a mesma declarasse estar em estado de desespero durante a violência sofrida. Número que, convenhamos, está acima da capacidade humana normal de apreensão visual instantânea, e que só permitiria uma contagem precisa havendo uma ordenação visual ou tempo e tranquilidade que não pareceriam de modo algum ser o caso.

Já seria de se esperar que a expressão “33 homens” não seja mais preferencialmente associada aos trabalhadores chilenos que ficaram por 70 dias presos na mina San José há quase 700 metros de profundidade, mesmo que o fato já tenha recebido uma retratação cinematográfica estrelada por Antonio Banderas e Rodrigo Santoro. Muito menos que seja associada à idade de Cristo na ocasião de sua morte e muitíssimo menos aos 33 graus da hierarquia maçônica.

Mas posteriormente as autoridades viriam a “corrigir” esse número para um máximo de 12, e a inspiraçao para o número inventado pelo traficante teria vindo nada menos que da repetição de um refrão de um funk. O que por si só já mostra que a suposta vítima simplesmente mentiu em seu depoimento.4

Deve-se frisar de que não há evidência alguma de um estupro coletivo a não ser uma fala jocosa de um delinquente, e um posterior depoimento fantasioso da vítima que simplesmente tomou um número aproximado ao inventado de empréstimo. Não é de se surpreender que as autoridades tenham demorado tanto a dar uma resposta satisfatória, mesmo sob fortíssima pressão institucional que envolveu até mesmo o Presidente Interino da República, a ONU e praticamente a totalidade da grande mídia, que curiosamente não trataram o caso como um típico “suposto” ou meramente exigiram mais investigações.

Não. Todos eles, em uníssono, declararam que efetivamente houve um estupro coletivo apesar da absoluta falta de evidência concreta para isso! Em suma, tomaram a palavra da vítima como valor probatório, como aliás já antecipa a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.5

Fora dos holofotes midiáticos, inundam a internet uma massiva quantidade de depoimentos e evidências que mostram uma versão completamente diferente da história, contados por conhecedores diretos dos envolvidos em primeira mão, alguns dos quais relevados de forma descuidada até mesmo pela família da vítima, além da própria estranheza da narrativa, em especial o fato da jovem ter lidado com o ocorrido de forma perfeitamente normal, visto fazer parte de sua rotina, e ter entrado em desespero somente após a divulgação do vídeo.

Num caso tão confuso e tão frágil, onde mesmo os investigadores encarregados ainda que sob pressão admitiram no começo nada ter de concreto, como se explica tamanha e absoluta certeza da mídia sobre seu veredito antecipado ao ponto do delegado ter sido substituído para uma delegada que simplesmente passou a corroborar a narrativa da histeria coletiva?

Ora o próprio Estuprismo! A Doutrina da Cultura de Estupro. Um dos mais poderosos braços do Feminismo.

Dentro dessa doutrina, o único elemento necessário para que as estupristas tenham convicção absoluta e julguem e condenem sumariamente à revelia sem qualquer possibilidade de defesa é a palavra da vítima, segundo o dogma de que mulheres jamais mentem sobre terem sido estupradas. Não importa que se acumulem toneladas de evidências de acusações falsas levando a condenações injustas e mortes de inocentes por linchamento.6

Segundo o Estuprismo, impera em nossa sociedade uma cultura que não apenas tolera, mas é conivente com o estupro de mulheres, que os perdoa, acoberta, glamoriza, os vê com bons olhos, justifica, incentiva e que mesmo ensina os meninos desde cedo a estuprar. Tendo examinado aprofundadamente esse tema em vários textos,1 não cabe me delongar mais sobre ele aqui, apenas chamarei atenção à espetacular característica auto refutatória dessa afirmação, desmentida não apenas pelo massivo frenesi causado por este recente caso e pela totalidade das evidências de punições severas para o crime de estupro tanto a nível legal quanto ilegal, como execuções sumárias contra estupradores nos estados paralelos do narcotráfico ou o linchamento de homens meramente suspeitos, ou mesmo falsa e fantasiosamente acusados por vigaristas.6

Ademais, uma das maiores regularidades das sociedades humanas é que quando elas são essencialmente imbuídas de uma cultura normatizadora, a mesma se reflete em todas as suas instâncias, e é francamente admitida pelo grosso da sociedade em todos os níveis. Será que se “denunciássemos” o antissemitismo em plena Alemanha Nazista, algum apoiador do Reich iria se escandalizar? Que algum WASP no sul dos EUA do século XIX se sentiria ofendido em ser chamado de racista? Que um talibã no Afeganistão teocrático se esquivaria da afirmação de concordar que mulheres devam se submeter totalmente aos homens?

Se numa determinada sociedade alguém acusa a existência de uma mentalidade qualquer, e esta reage contra a acusação de forma visceral, e ainda por cima quando a totalidade do sistema policial, jurídico e mesmo midiático se posiciona contra tal mentalidade, isso é mais do que suficiente para atestar a massiva fraude que é tal acusação! Existem, no máximo subculturas do estupro, talvez como o próprio funk, como existem subculturas do assassinato ou do roubo, devidamente reprimidas e criminalizadas, o que torna a existência da uma cultura de estupro, nesse caso, verdadeira mas irrelevante por ser óbvia.

Explicando agora minha convicção na afirmação inicial, o Estuprismo simplesmente não pode contar com a verdade, precisando sempre preferir a mentira. Isto é: ante dois casos de estupro, sendo um perfeitamente concreto e esclarecido, e outro duvidoso e obscuro, estupristas SEMPRE irão preferir trabalhar em cima do segundo, pois somente este permitirá alavancar suas doutrinas, paranóias e fraudes, que exigem um caos de desinformação e um vácuo de concretude para que sejam preenchidas pelo engodo.2

Um caso de estupro real bem esclarecido de imediato promove a pronta retaliação da sociedade em todos os seus níveis social, político, jurídico, policial, cultural etc, e isso desmente integralmente a narrativa estuprista. Mas um caso controverso tenderá a demorar ou mesmo a não punir os acusados por falta de evidências ou mesmo por serem absolutamente inocentes, e é este que interessa a feministas, para que possam distorcer a realidade e “provar” sua delirante visão de mundo.

Enquanto isso, tanto a suposta vítima quanto os acusados pelo hipotético estupro coletivo, que apesar de tudo ainda é possível, são em sua maioria, se não todos, criminosos cujo envolvimento no narcotráfico já era conhecido, mas que estranhamente não tinham todo o aparato policial judicial estatal em seu encalço. Agora tem. Mas enquanto a polícia tenta prendê-los, feministas não estão nem um pouco interessadas em ajudar, e sim, tomando o fato como inquestionavelmente real, mesmo que alimentam algum repúdio aos perpetradores em si, se esforçam em isentá-los de suas responsabilidades individuais projetando a culpa para TODOS os homens, e toda a sociedade que, em seu delírio, é um Patriarcado Opressor “machista”.

Não foi surpresa alguma que uma das forças motrizes da campanha tenha sido uma advogada ferrenhamente feminista e assumidamente misândrica, que tem orgulho em declarar seu absoluto desprezo e ódio contra todo o gênero masculino. E quem quer que tenha um mínimo de conhecimento direto sobre o tema sabe o que os coletivos feministas e seus espetáculos grotescos de insanidade pública tem a dizer, e pensar, sobre o assunto.7

É o objetivo em si da doutrina da “Cultura de Estupro” violar o máximo de mentes possível com sua falsificação da realidade com vista a objetivos escusos incluindo o aumento da violência sexual real, para então capitalizá-la para propósitos ainda mais perversos. E para isso não ocorre apenas uma franca aliança da neoesquerda pseudo progressista com a grande mídia elitista liberal, visto que na verdade tanto o Liberalismo Social de um e o Liberalismo Econômico de outro servem aos mesmíssimos mestres.

A completa mobilização sincrônica entre governo, ONU, mídia e os coletivos feministas é apenas mais uma tediosa evidência de que este movimento nada tem de subversivo e muitíssimo menos representa uma luta contra o poder estabelecido. Pelo contrário. É a expressão em si do poder financeiro internacional que controla a mídia, a ONU e os governos. E que para manter se manter intocado precisa justamente manipular a sociedade apregoando inimigos invisíveis e inexistentes, gerando paranóia delirante que obstrui a percepção da realidade, e ainda melhor, criando um tipo criminal absolutamente isento de necessidade de prova material, para que possa ser usado como recurso útil para neutralização de desafetos políticos, como fizeram com Clarence Thomas, Julian Assange e Strauss Khan.

Um autêntico estupro da consciência coletiva. Ou, um Estupro Coletivo sim, mas da Consciência Social.


1. Meus textos originais são: A Cultura do Estupro, O Estupro da Cultura, Estuprando a Justiça, Estuprando Números e Estuprismo. Mas é útil também a tradução A Política do Estupro – Desmascarando o Mito Feminista.

2. Casos de acusação comprovadamente falsa como o ocorrido no Revéillon na Universidade de Brasília ou o Caso da Universidade Federal da Grande Dourados tiveram muitíssimo mais repercussão entre a militância feminista do que casos comprovados de estupro coletivo como o incomensuravelmente mais horrendo ocorrido em Castelo do Piauí ou o caso na Zona Sul de Natal. Aliás, quem procurar por “estupro coletivo” no Google colocando data limite até Maio de 2016 verá uma grande lista de casos que muito provavelmente jamais ouviu falar, principalmente por intermédio de feministas.

[ADENDO EM 12/06/16– Surpreendentemente, quem viria a manifestar perplexidade com essa desigualdade de tratamento dos distintos casos de estupro foi ninguém menos que Eleonora Menicucci, ex ministra da praticamente extinta Secretaria de Políticas para mulheres, de quem já falei poucas e ruins (Estuprando a Justiça, periódico de 19 de Outubro de 2013). Em Não existe uma cultura de estupro, existem estupradores, diz Feliciano, a ministra, além de dizer mais uma de suas insanidades ao criticar a colocação do departamento de violência contra a mulher dentro da Polícia Federal, onde literalmente, segundo o artigo disse “É absolutamente tenebroso, porque volta à epoca das trevas, quando a questão da violência contra as mulheres era cista como uma questão de polícia.” também disse “Me assustou muito a comoção com o estupro da menina de 16 anos. Eu fui lá. Mas também fui em Queimadas, em Castelo do Piauí, no sul da Bahia. Por que esses casos não tiveram a comoção que teve esse?” Ela no entanto atribuiu tal estranhez a uma tentativa de desviar a atenção do golpe presidencial praticado por Michel Temer, que derruba o partido que a sustentava, como se por acaso não fosse possível criar celeuma similar com esses outros casos também. Mas não! Senhora Ministra, à qual estou cada vez mais inclinado em admitir estupidez, possível demência, invés de perfídia. A explicação já foi dada por mim duas semanas atrás. No texto da mesma notícia, pode-se ver que estupristas atingiram grau de fanatismo e intransigência muito superiores ao de um Fundamentalista Religioso, que nesse caso expôs apenas o óbvio e correto.]

3. Não há evidência de denúncia feita por feministas. Segundo o G1 uma pessoa foi até a delegacia e fez uma denúncia anônima, o que seria estranho de um coletivo feminista ou mesmo uma militante notória.Ademais, sucederam-se mais de 800 denúncias on-line até o dia 25 de Maio, ao passo que as mobilizações feministas começaram dias depois.

4. A reportagem do Fantástico é um show de manipulação e insulto a inteligência do espectador, como seria de se esperar do “globismo”. No novo vídeo em questão nada pode-se distinguir, sequer que sejam mesmo os supostos envolvidos, sequer que estejam mesmo a fazer algo, e as poucas falas se limitam a incidentes perfeitamente banais em qualquer intercurso sexual que apresentem alguma dificuldade.
Alguém pode honestamente crer que num estupro pintado de forma tão brutal a ÚNICA aparente evidência de um não consentimento seria um apático “Para.” que sequer se reiterou e ainda gerou hesitação imediata no suposto perpetrador? E a única coisa que o vídeo, mesmo com o mosaico que impede a visualização de fato parece mostrar é que ainda que aquilo em si fosse um estupro, seria praticado por um único homem!
Infelizmente, o “Globismo”, bem como o Globalismo e o Feminismo já conseguiram idiotizar boa parte da sociedade para que esta consiga levar a sério as fantásticas alegações do Fantástico. Pois só mesmo uma feminista, como a própria nova delegada em questão, para apresentar tal material como se fosse prova. Se bem que ela alegou que o estupro coletivo estava provado mesmo antes de possuir qualquer novo material sobre o caso, na absoluta contramão do que fizera o advogado afastado. Faço aqui outra previsão. A não ser que surja um fato radicalmente inovador, se este caso for a julgamento, os acusados serão inocentados da acusação de Estupro Coletivo em si. E no fundo creio que muitas estupristas sabem disso, mesmo que inconscientemente. Por isso mesmo apostam no factóide como forma de utilizá-lo como prova da existência de uma “cultura que perdoa estupradores”.

5. No link Pesquisa Pronta do STJ. digite no campo de procura “valor probatório da palavra da vítima”, clique no resultado e abrirá um link com uma lista de mais de 150 resultados. A “relevância diferenciada” da palavra da vítima em casos de violência sexual é repetida quase religiosamente. No entanto, vale lembrar que a mesma se aplica em geral na ausência de outras evidências, quer favoráveis ou contrárias. E que a proporção de sucesso condenatório nos casos da palavra da vítima ser a única “prova” parece pequena, o que sugere que o princípio é invocado mais para justificar a continuidade do processo do que para efetivamente condenar.

6. Estuprando a Justiça, 13 Mulheres que Mentiram sobre Estupro e Por quê, Existe Cultura do Estupro?

7. Quem quer que visite o Facebook da advogada feminista Eloisa Samy Santiago, que havia se proposto a “defender” a suposta vítima, não tardará a perceber seu viés misândrico, sendo movida muito mais pelo ódio ao gênero masculino que por qualquer preocupação legítima com bem estar feminino. Como aliás é típico.

Marcus Valerio XR

12 de Junho de 2016

 

 

Os 300 da Suécia

ou
Como trocar o importante pelo irrelevante.
Aproximadamente 11.700 Caracteres

Como negligenciar todo um contexto político cultural quando um certo Movimento de Resistência Nórdica de teor nacionalista faz uma passeata no dia 1° de Maio, Dia do Trabalhador, na Suécia, com o emblemático contingente de 300 homens engravatados, cuja ideologia vem fortalecida após uma nova política de restrição de fronteiras para deter a entrada de imigrantes médio orientais?

Simples, focar toda a importância num gestinho simbólico pífio de absoluta irrelevância que nem a própria autora levou a sério! O quase imperceptível protesto da obscura ativista negra Tess Asplund, que sequer irei linkar aqui porque 100% de todas as notícias em português e a maioria esmagadora das em inglês ou espanhol que tocam no assunto o descrevem como ‘O Heróico ato de uma mulher negra que “desafiou” um movimento nazista’. De um perspicaz fotógrafo, tentou-se divulgá-la como um ícone histórico de resistência à opressão, apesar de ter durado exatos 4 segundos onde sequer reduziu o passo da marcha, não proferiu palavra alguma e logo foi removida, e protegida, pela polícia, e um companheiro branco que se limitou a “dar o dedo”, e sem os quais certamente ela sequer teria tido coragem de se aproximar da manifestação que seguiu adiante ignorando-a por completo.

Este breve vídeo mostra tudo o que há para ser visto atestando a total nulidade do ato, enquanto a maioria dos outros, editados, tentam fazer o ocorrido parecer mais relevante do que é. E mais. A própria autora se mostrou não apenas surpresa com a repercussão da foto mas até mesmo assustada com a possibilidade de uma hipotética retaliação. Em suas próprias palavras: “Estou em choque. Os nazistas são muito agressivos, então eu estou um pouco ‘Que merda, talvez eu não devesse ter feito isso, eu quero paz e sossego.’ Esses caras são grandes e loucos.”, disse a ativista de 1,60m e 50kg, lutando para manter a calma.1

Ela não deveria se preocupar, ninguém entre os membros do movimento nacionalista em questão parecem ter dado a mínima para ela, que evidentemente não tem nem de longe a “coragem” que a mídia está tentando lhe imputar em seu esforço de obscurecer qualquer informação relevante sobre o ocorrido, limitando-se a não apenas dizer que os manifestantes são ‘nazistas’, o que seria apenas substantivação, mas a chamá-los de ‘nazistas’, o que se torna adjetivação da versão aparentemente menos infantil de dizer que algum movimento é ‘do mal’.

Quem quiser conhecer alguma coisa sobre o acontecido, onde os manifestantes ostentavam o cartaz “Luta contra os Grandes Financistas e os Traidores do Povo”, não pode contar com a web em português. Vai ter que se virar. Mas vou fazer um breve e rápido trabalho do tipo que toda nossa praticamente inútil mídia internética achou por bem dispensar.

O Movimento de Resistência Nórdica é uma organização assumidamente Nacional-Socialista fundada em 1997 que opera na Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia, resultante de dissidências e desmembramento de organizações anteriores, muitas delas com membros criminalizados. Hoje, no entanto, atingiu o estatuto de partido político, já tendo elegido seu primeiro e único representante entre os 290 municípios suecos. Apesar dessa representatividade insignificante, boa parte da ideologia do partido está espelhada no do partido dos Democratas Suecos, de teor conservador, nacionalista e resistente à União Européia, que já detém nada menos 14% do parlamento sueco e 10% da representação sueca de 20 membros no Parlamento Europeu.2

Previsivelmente, o Site oficial do MRN não tem tradução para outros idiomas que não o sueco, o que seria de se esperar de um movimento étnico pouco amigável a estrangeiros que não os demais nórdicos, lembrando que seus idiomas, especialmente sueco, norueguês e dinamarquês, são bastante parecidos, sendo em geral inteligíveis entre si.

Neste breve vídeo da manifestação, pode-se ter uma visão melhor da passeata, que brada basicamente pela restrição a entrada de imigrantes não nórdicos, especialmente muçulmanos, pela rejeição ao sionismo, capitalismo financista e liberalismo em geral, lembrando que ao mesmo tempo, nacionalistas também são anticomunistas. Devido a dificuldade de encontrar material que não em idioma nórdico, esse depoimento anti-sinonista de 2012, em espanhol, de um dos membros da organização, pode ser bastante útil para detalhar melhor a mentalidade por trás do movimento.

Trata-se do mesmo grupo envolvido em controversa ocorrência na estação central de trem de Estocolmo. Grupos nacionalistas e conservadores descreveram com um ato pacífico de divulgação e panfletagem com algumas manifestações acaloradas, e a mídia liberal e progressista como um ato de violência contra mulheres e crianças imigrantes. A absoluta ausência de imagens de qualquer agressão num mundo bigbrotheriano repleto de câmeras, bem como a total ausência sequer de fotos de feridos, laudos médicos, boletins policiais ou mesmo depoimentos, fala a favor de um lado.

No link Swedish far-Right mob attacks migrants in central Stockholm in wake of social worker murder há praticamente o único vídeo relevante do caso, onde pode-se ver a segurança ameaçando alguém que não se sabe ser um imigrante ou um dos manifestantes, enquanto as legendas do vídeo dizem, “isso parece aquilo” e “aquilo parece isso”.

Mas agora, deixando de lado especulações e desinformações, vamos aos fatos.

A imigração em questão interessa aos grandes empresários e ao setor financista, visto implicar em mão de obra barata, o meio mais rápido, direto e fácil de baixar os custos de produção e consequentemente aumentar lucros. As meras “mãos invisíveis do mercado” favoreceriam a movimentação de trabalhadores menos exigentes dispostos a trabalhar mais por menos, para alegria dos liberais. Ainda que “mãos invisíveis” também sejam responsáveis pelas más condições de vida de determinadas regiões do globo, submetidas a séculos de colonização e exploração violenta dos mesmos países que hoje falam em liberdade, e de onde saem essas populações dispostas a pegar de volta um pouco daquilo que as metrópoles, direta ou indiretamente, lhes expropriaram. Isso quando o que se vê não sejam exércitos com armamentos de última geração, incluindo “aviões invisíveis”, destruindo a já precária infraestrutura de regiões que se tornam insuportáveis gerando migrações em massa, dentro da qual aproveitadores e manipuladores infiltram toda sorte de espiões, baderneiros e terroristas.

Uma Esquerda decente de legítimo teor trabalhista deveria receber esses imigrantes, fiscalizá-los e sindicalizá-los, descartando, claro, os mau intencionados, garantindo aos trabalhadores estrangeiros os mesmos direitos trabalhistas e equipará-los à mão de obra nativa. Isso impediria que os imigrantes, pelas precárias condições de vida, formassem guetos no país que os recebe, evitaria desemprego expressivo entre a mão de obra nativa, e desincentivando a migração, trocaria a grande quantidade de trabalhadores imigrantes por maior qualidade dos que em menor quantidade emigrassem.

Mas a Suécia é o expoente mundial no processo corruptor que despojou a Esquerda de toda sua dimensão econômica para transformá-la no pior tipo de neoesquerdismo feminista, LGBTT, racialista, abortista, vitimista e hipócrita até não restar nem mais um pingo da Luta de Classes original e toda ela passar a servir ao mesmo poder econômico que finge combater. E ainda que boa parte disso se deva ao fato da escandinávia ter atingido tamanho padrão de vida que fica difícil outra coisa que não decair, lembremos que ela foi escolhida como o maior laboratório social mundial para experiências liberais que foram da total desregulação sexual para a mais restritiva afetação puritana típicas da esquizofrenia feminista.3 Visto que a cultura nórdica parece desde sempre receptiva a tais noções como já o apontava o viajante árabe e erudito muçulmano Ahmad ibn Fadlan, no Século X. Bem como na mesma época outro estudante muçulmano, o viajante persa Ahmad ibn Rustah, destacou a grande receptividade dos nórdicos a estrangeiros. 4

Os nacionalistas, incluindo os que ainda insistem no paradoxal conceito de ‘nacional-socialismo’, que são considerados Extrema-Direita apesar de serem absolutamente hostis ao grande Capital, encarnam o tradicional papel belicoso de defesa étnica e territorial que se é o responsável histórico por toda força de uma população e o fundamento de qualquer civilização, também é, nessa modalidade, obsoleto diante da força dos Estados Nacionais cooptados pelo Capital Transnacional. E esse papel de resistência costuma ser feito sem a sofisticação necessária para afastar o estigma de xenofobia e truculência, mesmo quando não é o caso, minimizando possíveis alianças com abordagens tão corajosas quanto, mas mais articuladas e que sabem focar no verdadeiro inimigo, que não é o pobre trabalhador imigrante, e sim as elites econômicas que a todos exploram.

Resultado: Vitória dos mesmos Grandes Financistas e Traidores do Povo, que controlando o Estado por meio dos partidos, conseguem pela esquerda corrompida e vendida ao interesse elitista mal disfarçado, taxar qualquer reação nativa de nazista, racista, fascista, machista e todos os adjetivos rotulantes cuja principal função é paralisar o pensamento e disparar reações pavlovianas que jamais permitirão a apreensão do possível conteúdo por trás deles. Bem como, pela direita corrompida pelo interesse elitista explícito, cooptar à justificada rejeição ao neoesquerdismo corrupto para engrossar as hostes dos que deveriam defender a tradição mas passam a defender o direito irrestrito do poder econômico em explorar ainda mais os trabalhadores.

Em suma, as elites bancárias e empresariais, em grande parte sionistas, manipulam a tudo pela farsa de uma “luta” entre o Liberalismo Econômico, à direita, e seu irmão de sangue Liberalismo Cultural, à esquerda, que corrói o poder de mobilização dos trabalhadores pela substituição da pauta econômica pelas pautas separatistas de raça, sexualidade e principalmente gênero, que também tem como função principal reduzir as taxas reprodutivas.

Somente o pensamento varonil jovial pode se iludir ao ponto de achar que a defesa de uma nação pode ser feita apenas pelos braços armados masculinos. Se para cada um daqueles 300 houver uma mulher disposta a gerar ao menos 3 descendentes, então eu apostaria que se trata de uma resposta séria e promissora no sentido de preservação étnica de um nicho populacional já bastante reduzido. Mas se estivermos falando de um bando de solteirões ou mesmo maridos cujas esposas trocam a família pela carreira em corporações privadas e estatais a serviço da mesma elite financista supracitada, então tal reação não passa de um espasmo final de desespero de uma cultura moribunda e sem chance de se reerguer.

Pois além de esmagada pela totalidade do poderio econômico, estatal e midiático, ainda estaria sendo vítima da maior de todas as armas de destruição populacional em massa já inventadas, o genocídio lento e silencioso da erradicação populacional por não reprodução.

No máximo, o que resta aos simbólicos 300 é relembrar o papel dos antigos espartanos no desfiladeira das Termópilas (que hoje são tidos como heróis mas eram mais xenófobos e truculentos do que qualquer nazista jamais sonharia ser) diante do poderio colossal combinado do Grande Capital, do Sionismo Bancário Transnacional, do Estado vendido, e aos muitos milhões de imigrantes, especialmente muçulmanos, que ainda pretendem invadir o país.

Mas esse papel de Leônidas, a grande mídia, controlada pelas mesmíssimas forças supra citadas, já reservou à “brava” ativista negra (devidamente protegida por homens em câmeras e armas) que realizou um gesto de absoluta insignificância a não ser para quem quer distorcer por completo toda a realidade e apresentar o tabuleiro de desiguais forças completamente invertido.

Marcus Valerio XR

25 de Maio de 2016

1. Tradução minha de citação em inglês em Woman who defied 300 neo-Nazis at Swedish rally speaks of anger

2. O Partido dosDemocratas Suecos, fundado em 1988, saiu da obscuridade a partir de 2010, quando finalmente conseguiu representatividade para adentrar o parlamento do país, passando a crescer continuamente em reflexo a uma reação popular cada maior às políticas neoesquerdistas dominantes na Suécia. Hoje é o terceiro maior partido do país, com 49 parlamentares eleitos. Já o Parlamento Europeu é composto de 754 membros, 20 sendo suecos dos quais dois são do referido partido. Em conjunto com outros partidos de naipe ideológico similar, o nacionalismo ganha expressiva força na política da União Européia, inclusive apresentando muitas vezes o que é chamado de euroscptism, uma forte descrença, crítica ou mesmo rejeição à ideia de União Européia. Ainda assim são menos numerosos que os Liberais de Esquerda ou de Direta.

3. Embora pouco divulgado, muito se fala na Suécia como uma cobaia para experiências sociais, especialmente feministas, exatamente por sua já histórica tendência a igualdade de gênero. Desde breves artigos como MARRIAGE AND FAMILY: Swedish social laboratory’s disastrous legacy, a livros como The Social Laboratory, the Middle Way and the Swedish Model: three frames for the image of Sweden, bem como o artigo sobre o livro A Brief Story of Swedish Sex: How the nation that give us free love redefined rape and declare war on Julian Assange.


4. Os artigos da wikipedia sobre Ahmad ibn FadlanAhmad ibn Rustah são bastante informativos. Mas no primeiro caso o texto Among the Norse Tribes: The Remarkable Account of Ibn Fadlan é bem mais detalhado. Ahmad Idn Fadlan foi romanceado pelo escritor de Ficção Científica Michael Crichton na obra Os Devoradores de Mortos, que como grande parte das obras deste escritor foi transformada no filme O 13o Guerreiro, no qual foi interpretado por Antonio Banderas.

À ESPERA DE UM “MILAGRE” (econômico)

14 mil Caracteres

Uma Luz na Escuridão

Em meio ao constrangedor festival de imoralidade, hipocrisia e estupidez que nossa classe política tem demonstrado nos últimos meses, eis que surge um discurso que sozinho quase é capaz de reestabelecer o equilíbrio entre as infindáveis hordas da miséria intelectual e os poucos luminares que permitem alguma compreensão da realidade.

Ao proferir seu voto em 12/05/16, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), expõe a completa impostura do atual processo parlamentar,, inclusive a desonestidade de seu próprio partido, e dá uma breve mas preciosa aula de história e economia.1 O discurso merece ser visto na íntegra, e é esclarecedor e poderoso por si próprio tanto para as mentes mais humildes quanto para as mais exigentes, excetuando aquelas que preferem rejeitá-lo a priori devido a um compromisso obtuso com os dogmas liberais atuais.

Muitos libertários e anarcocapitalistas, por exemplo, paralisam a própria cognição ante qualquer menção do termo ‘neoliberalismo’, convictos de que sua doutrina, ao definir de forma distinta o conceito, faz desaparecer a realidade por trás da definição de seus adversários. Como se as políticas de desregulamentação de capitais, isenção de impostos das grande fortunas ou privatizações típicas do Consenso de Washington inexistissem porque o termo aplicado a elas não seria perfeitamente adequado.2

Mas o que há no discurso de Requião de mais profundo, preciso, e até mesmo espantoso devido a ousadia, nem é o que foi mais amplamente exposto, mas sim os poucos comentários que apenas apontaram para um fato histórico que ele fez por bem em não expor demais, ou seu discurso já teria entrado no noticiário como algo absolutamente diferente do que de fato é, tendo seu verdadeiro sentido obscurecido por completo.

Ao defender que deveríamos aplicar políticas econômicas anti-cíclicas invés de repetir pela enésima vez o mesmíssimo veneno neoliberal que destrói as economias de países inteiros enquanto multiplica a fortuna das oligarquias que o financiam, Requião lembra discretamente a República de Weimar, citando o economista Hjalmar Schacht, e até mesmo lembrando que estamos a falar de uma abordagem que adentrou a Alemanha de Hitler, eliminou em tempo recorde uma depressão econômica devastadora que a maioria dos brasileiros jamais poderia imaginar, e levar o país da ruína à condição de maior potência mundial.

Ante iso a reação da maioria é travar o raciocínio e invocar os horrores do Nazismo, rejeitando em bloco tudo o que esteja associado a esse tempo local como inerentemente maligno e bloqueando maniqueisticamente a possibilidade de entendimento. Afinal, todos nós estamos a nossa vida inteira sendo doutrinados a fazer isso.

Mas quem se atreve a pensar em como foi possível um regime ter atingido tamanho poder? Como Hitler conseguiu a fidelidade irrestrita de praticamente todo o povo alemão disposto a seguí-lo até a morte? O que o Terceiro Reich fez para garantir tamanho apoio das massas?

O Milagre Econômico Alemão

Após a Primeira Grande Guerra, à derrotada Alemanha foi imposta uma dívida em condições nitidamente insuperáveis, jogando o país numa bancarrota aparentemente irreversível. Os maiores credores da dívida eram o grande sistema bancário que no caso era quase totalmente judaico, o que deve ser lembrado para mostrar que o extremismo antissemitismo nazista teve, na realidade, origem na questão da exploração econômica.

O banqueiro e político alemão Hjalmar Horace Greeley Schacht3, foi dos principais responsáveis pela recuperação do país, começando seu trabalho desde a época da República de Weimar, quando conteve a hiperinflação, e continuando após a ascensão do Nazismo, a convite do próprio Hitler, combatendo o desemprego e gerando desenvolvimento em infraestrutura. Apenas quando a Alemanha passou a concentrar seus esforços no sentido bélico, Schacht, que era contrário aos planos expansionistas e militares nazistas, foi colocado em funções secundárias desvinculadas da economia. Até se opor ao regime nazista inclusive apoiando esforços de derrubar Hitler.

E como a Alemanha conseguiu, em cerca de uma década, reerguer um país devastado pela guerra, com dívidas astronômicas impagáveis e onde o dinheiro estava tão desvalorizado que mais valia queimá-lo para obter fogo do que comprar combustível? Como superou uma inflação que, diferente de nosso planos econômicos do final do século passado que costumavam cortar 3 zeros, exigiu dos alemães que cortassem de uma só vez 12 zeros?! Sim! Pois a moeda introduzida por Schacht, o Retenmark, equivalia a 1 TRILHÃO de marcos!4

Por melhores que sejam as respostas que vemos em artigos diversos5 sobre o tema, podemos destacá-las de uma forma simples: as abordagens econômicas alemãs minimizaram drasticamente o elemento financeiro rentista parasitário! Invés de trabalhar ao quadrado para pagar taxas de juros arbitrárias, infinitas e injustificáveis, todo o esforço de recuperação alemão foi unicamente concentrado na restruturação da economia interna, emitindo moeda própria controlada diretamente pelo Banco Central alemão, minimizando os vínculos diretos com o sistema financeiro externo, o que lhes permitiu pouca vulnerabilidade à Crise Global de 1929, e fornecendo crédito a ser pago de forma concreta pelo, e para o próprio país.

Os empreendedores e a população em geral podiam solicitar empréstimos sem juros ao banco estatal que depois deveriam ser pagos na forma de incentivos à economia do país, como gerar mais empregos, investir na infra estrutura, fornecer materiais e mão de obra mais baratos para outros setores etc. Invés de simplesmente enviar quase todo o excedente de produção para exponenciar as fortunas privadas dos vampiros financistas, que é o que faz boa parte do mundo há mais de um século.

Cortando o Parasita

Pode ser estranho imaginar algo tão fora da uma realidade na qual nascemos e pela qual somos bombardeados desde o berço de forma onipresente por todo nosso universo econômico circundante. Mas a verdade é que uma vez removidos os parasitas usurários do sistema financeiro, o crescimento econômico é relativamente simples, capaz de prodígios que nada seriam impressionantes não fosse o fato de serem sistematicamente ocultados, negligenciados e demonizados pela quase totalidade das forças de mídia e formação cultural que nos afligem.

Foi assim que em grau menor, a Rússia saiu de uma condição agrária atrasada a potência espacial e nuclear soviética em poucas décadas, que Cuba, mesmo isolada e embargada numa ilha, criou um dos melhores sistemas de saúde do mundo e a China está se tornando a maior potência do planeta. Coisas similares ocorreram em escala mais modesta no Irã, Síria, Venezuela, Islândia e outros exemplos, que não por outro motivo são constantemente ignorados ou pichados como infernos pela grande mídia e nossos pequenos liberalóides doutrinados por máquinas de lavagem cerebral financiados desde oligarquias bilionárias dos EUA.

Não que tais exemplos não tenham seus problemas, muitos deles seríssimos, ou nos sirvam exatamente de modelo. Mas o motivo primordial pelo fato de estarmos acostumados a não vê-los, ou vê-los pelo pior prisma possível é o fato de serem a prova viva de que é possível, e até mais adequado, prover crescimento econômico e desenvolvimento para um mais amplo espectro da população invés de priorizar à ganância bancária e a monstruosa máquina de criação ex-nihilo de dinheiro virtual para enriquecimento exclusivo da elite plutocrática.

Imaginemos, por exemplo, o que aconteceria se de repente deixássemos por completo de pagar a Dívida Pública, que consome praticamente metade do dinheiro de nossos impostos. De uma hora para a outra todos os preços cairiam ao mesmo tempo que todos os salários aumentariam sensivelmente. Todos os setores produtivos seriam melhor remunerados e o dinheiro circularia de forma a incentivar ainda mais o consumo e produção.

Mas a questão que evidentemente surge é: qual seria o prejuízo da supressão de tal dívida?

Da Proteção à Extorsão

Outrora bancos guardavam metais ou pedras preciosas protegendo-as de ladrões e cobrando pelo serviço de proteção. Posteriormente passaram e emprestar valores que não eram seus, num contrato de risco e confiança que contava com a não insolvência de uma possível corrida bancária (o saque súbito de grande parte de seus valores por seus proprietários) e cobrando uma taxa de juros que poderia ser vagamente justificada por esse risco em si.6

Depois passaram a imprimir papel moeda, e já é estranho um sistema que emite cédulas que apenas ‘podem’ estar realmente embasadas em valores reais, elevando os processos inflacionários a níveis antes historicamente impensáveis. Mas ainda mais bizarro é o Sistema de Reservas Fracionadas, que permite que os bancos emprestem valores várias vezes superiores ao que de fato possuem em lastro. Ou seja, além de emprestarem um dinheiro que não é deles, ainda “emprestam” um dinheiro cujo lastro na realidade não existe, e hoje sequer precisando imprimir cédulas, visto que a única coisa necessária a fazer é digitar valores no sistema informático imediatamente, na prática, apenas autorizando trocas de valores virtuais que posteriormente exigirão trabalho real de quem realmente sustenta a economia do mundo, que são os trabalhadores.

São estes que em última instância irão trabalhar a mais para pagar as arbitrárias taxas de juros, pois alguém tem que produzir posteriormente as riquezas correspondentes os valores que foram literalmente inventados pela Reserva Fracionada, que são pagas não para quem produziu, mas para quem “emprestou um dinheiro que não existia” e que controla o sistema de emissão de moeda, mas que nada produz!

Mas esses setores financeiros usurários hoje controlam praticamente todo o sistema produtivo e político, e somente por isso aplicar-lhes uma calote da dívida se torna realmente arriscado, devido a seu poder de retaliar de forma severa qualquer país que se atreva a não se submeter a essa exploração.

De protetor contra a ameaça dos ladrões, o sistema bancário se tornou como a máfia que cobra taxas de proteção, extorquindo toda a humanidade por meio de um sistema que já escravizou a quase totalidade da economia.

Por isso o exemplo dos países que aplicaram medidas anti-cíclicas, especialmente daqueles que outrora romperam quase por completo com o sistema financeiro, é um tema praticamente tabu, pois eles nos lembram que não só é possível escapar dessa macro exploração, como ela pode ser totalmente dispensada com absoluto ganho para a totalidade da humanidade exceto a ínfima fração que controla e se beneficia desse sistema.

O “Milagre” Desvelado

Analogamente, lembremos que a sociedade demanda serviços e produtos que evidentemente exigem a força de trabalho e organização administrativa, sendo a primeira a que emprega a grande maioria da humanidade, e a segunda os postos de liderança e controle burocrático. Mas estes últimos podem ser perfeitamente estatais, visto que há inúmeros casos de empresas completamente públicas produzindo eficazmente, bem como também de empresas cooperativas que não possuem a figura dos proprietários exclusivos cuja principal característica é se apropriar dos lucros.

Ou seja, enquanto os trabalhadores são absolutamente vitais para qualquer tipo de empreendimento, os administradores podem ser públicos ou cooperados, o que significa que a figura do proprietário dos meios produtivos é perfeitamente opcional, na melhor das hipóteses, se não dispensável, e praticamente toda a ode liberal pode ser resumida a um discurso infindável para nos convencer da absolutamente necessidade e infinita vantagem dessa contingência questionável, tratando-a com tamanha reverência e falsa importância que chega ao ponto de obscurecer por completo o que há de mais importante, que é a base trabalhista.

A necessidade de um sistema que vai ainda mais além na dispensabilidade, as elites financistas que vivem da criação de um dinheiro inventado de forma arbitrária e abusiva, é na verdade não apenas opcional, mas também claramente nociva! Um sistema parasitário cuja eliminação resulta num resultado tão benéfico que parece um milagre!

Estamos tão imersos na fraude, na mentira e na sistemática corrupção da realidade que as coisas mais simples soam como se fossem graças divinas. Quer seja um discurso que literalmente diz apenas o óbvio, mas que em meio ao lamaçal de patifaria e ignorância de nosso congresso brilha como a mais bela das revelações, ou num sistema econômico tão corrupto, alienado e hipócrita que a simples eliminação do falsários que o controlam parece por si só miraculosa.

Milagre esse ao qual não podemos ficar apenas esperando.

Marcus Valerio XR

18 de Maio de 2016

Referências

1 – Roberto Requião declara seu voto contrário ao Impeachment da Presidente Dilma. O assunto em si é iniciado aos 38 segundos. E há também uma intervenção de Renan Calheiros totalmente dispensável e que foi devidamente ignorada pelo senador Requião. Já no vídeo Francamente, é o Brasil que está em jogo, Requião sintetiza o assunto que fora antes tratado em quase 14 minutos para menos de 4, no entanto, subtraindo as referências ao Milagre Econômico Germânico.

2 – Alguns exemplos de argumento liberal de “não existe neoliberalismo” podem ser vistos em Você usa o termo neoliberal? Apenas pare., que como o próprio título sugere tem um teor jovial, para não dizer adolescente, apesar de apresentar informações interessantes dentre os típicos sofismas liberais. Já O conceito de neoliberalismo faz uma abordagem mais séria e suscinta, advogando que melhor seria usar o termo ‘neo-intervencionismo’, o que de fato seria totalmente acertado a não ser pelo fato que liberalismo algum existe no sentido verdadeiramente preciso do termo! Ao menos não no terceiro planeta por ordem de afastamento da estrela amarela de quarta grandeza conhecida como Sol. Mas se você tiver estômago para experimentar o baixissimo nível predominante do discurso libertário / anarcocapitalista tente assistir ao vídeo O Que É Neoliberalismo de um sempre péssimo canal liberalóide.

De qualquer modo, toda essas argumentações podem ser resumidas num sofisma que confunde a precisão do termo com o objeto em si, como se o fato de ‘vampiros’ no sentido tradicional serem entidades lendárias fizessem o assassino serial conhecido como ‘Vampiro de Niterói’ não existir! É fato que muitos dos que usam o termo ‘neoliberalismo’ realmente tem vaga ideia do que se trata, mas isso se aplica a literalmente todos os conceitos teóricos! É até comum os próprios críticos do neoliberalismo admitirem que no fundo ele nada tem de ‘novo’ e muito menos de ‘liberal’, mas isso também se aplica a praticamente tudo o que se rotula de ‘liberal’ na atualidade, compondo uma massiva fraude conceitual. Para um texto curtíssimo de alguém que realmente entende e destrincha o histórico do conceito, e se considera um liberal no sentido clássico, veja
Uma Breve História do Neoliberalismo.

Enfim, o que eu e praticamente todo crítico quer dizer com ‘neoliberalismo’ hoje em dia são as políticas econômicas relacionadas às doutrinas dos Chigago Boys e do Consenso de Washington.

3 – Artigo Wikipedia sobre Hjalmar Horace Greeley Schacht.

4 – Dado fornecido em The Worst Hyperinflations in History: Hungary, apesar de tratar majoritariamente da Hungria. Já Financial Consequences of the First World War on Germany dá tabelas detalhadas do processo inflacionário.

5 – Em Uma Interpretação do Primeiro Milagre Econômico Alemão temos uma descrição bastante detalhada do assunto, com um viés mais crítico. Já Como Hitler Enfrentou o Desemprego há uma abordagem mais favorável ao modelos econômico do Terceiro Reich.

Muita da dificuldade de lidar com este tema deriva também do fato de outros responsáveis pela recuperação e expansão econômica da Alemanha em plena retração da economia mundial são figuras muito mais controversas, como Hermann Goring, que foi ministro da economia do Reich, e foi condenado a morte no julgamento de Nuremberg devido a seu envolvimento com o holocausto. Ou o secretário de estado Fritz Reinhardt, que inclusive deu seu nome a um dos planos econômicos, e embora não tenha qualquer envolvimento mais direto com crimes de guerra, é frequentmente confundido com Reinhard Heydrich, este sim um dos mais temidos nazistas e um dos principais responsáveis pelo holocausto.

6 – Descrevi melhor esse tema num post em 8 de Junho de 2015, tambem disponível nos periódicos de JUNHO DE 2015 em meu site.

Marcus Valerio XR

18 de Maio de 2016

ABORTISMO

O que é ABORTISMO?
xr.pro.br/ENSAIOS/Abortismo.html

Entendamos como ‘abortante’ a mulher que se submete a um aborto. E como ‘aborteiro / aborteira’ a pessoa que efetua um procedimento de aborto. Mas o que é ser ‘abortista’?

Ora, o Aborto é um tema que divide ânimos e é possível, mesmo entre as pessoas que o defendem, uma vasta gama de opiniões. Alguém pode achar o mesmo defensável em tais ou quais condições, como as previstas em nossa legislação, ou algumas adicionais. Quase todo mundo é favorável a ao menos uma possibilidade, como por exemplo a que envolve risco de vida para a mãe.

É possível também discordar em que ponto da gravidez o mesmo é permissível ou não, levando em conta condições sensoriais, atividade cerebral, cardíaca, capacidade de sobrevivência extra uterina ou outras possibilidade que podem delimitá-lo em praticamente qualquer estágio da gestação.

Bem como pode-se fazer considerações distintas sobre suas razões individuais ou sociais, já tendo sido feitas justificações de cunho demográfico, de saúde, segurança pública, ou meramente de autonomia pessoal. Assim como, do contrário, pode-se alegar razões éticas, religiosas, psicológicas ou de segurança para rejeitá-lo.

O termo ABORTISMO então é usado quando o que se tem não é uma divergência de opiniões que pode surgir espontaneamente de pontos de vista pessoais, mas sim um Conceito PADRONIZADO, CENTRALIZADO e RÍGIDO que emana de Uma Única Fonte de Autoridade Ideológica, ainda que tal fonte diretamente não seja tão evidente, embora seja facilmente rastreável por meio de suas subsidiárias.

Essa ideologia tem uma proposta que não admite nenhum tipo de variação exceto com fins estratégicos, é operada por uma rede organizada de ONGs financiadas por grupos econômicos com sede nos EUA com verbas de bilhões de dólares ao ano. Assim, o ISMO se refere a uma doutrina que é bastante específica.

O Abortismo prega o “Direito Irrestrito ao Aborto Incondicional, sem a necessidade de nenhum tipo de justificativa além da mera volição pessoal da mãe, a ser realizado de forma inteiramente gratuita pelo sistema público de saúde.” Na maioria dos contextos atuais, este tem reivindicado que aborto pode ser praticado “Até o prazo de 12 semanas de gestação.” No entanto, esse é o elemento estratégico da doutrina, visto ser um ponto de equilíbrio razoável entre a facilidade de aceitação pela sociedade e a eficiência do método. Mas esse mesmo abortismo pode sem qualquer dificuldade expandir esse prazo de acordo com a conveniência, como já ocorre nos próprios EUA, onde alguns estados o permitem praticamente até o fim da gravidez, ou como em alguns países da União Européia que já aceitando o prazo de 12 semanas, agora se vem sob pressão política para alargá-lo.

Em suma, muitas pessoas podem ser a favor do aborto sem serem abortistas nesse sentido ideológico. Ainda que suas opiniões se interseccionem. O Abortismo então está além da maior parte das opiniões populares, que em geral, mesmo no caso de pessoas que apoiam integralmente sua proposta, ainda há grande rejeição à ideia de que o mesmo seja banalizado.

No entanto há uma outra característica subjacente ao abortismo, não declarada mas frequentemente evidente em discursos abortistas.

O Objetivo Maior do Abortismo é BANALIZAR AO MÁXIMO A PRÁTICA DO ABORTO!

Isso pode ser evidenciado na simples ideia de que o feto não é uma vida humana, mas sim faz “parte do corpo da mulher”, podendo ser descartado sem qualquer ônus moral. Evidenciado também na mera expressão de que o feto é um “amontoado de células” ou “apenas um pedaço de carne”, ou até mesmo um “parasita”! Na insistência de que abortantes e aborteiras “nada fazem de errado” e pelo apego irracional a ideia de estabelecer um limiar arbitrário para “onde começa a vida humana”, afim de que antes desse limiar se aplique o desprezo total.

Na quase totalidade das vezes, um abortista não é alguém que chegou a uma conclusão por si próprio ou está emitindo uma opinião pessoal. E sim alguém que foi doutrinado por uma ideologia específica, com uma visão de mundo previamente estruturada e com objetivos que podem ser ou não conhecidos pelos que o defendem.

Marcus Valerio XR
O Que Penso Sobre o Aborto (2001)
ABORTO REPENSADO (2012)
ABORTO – O ARGUMENTO DECISIVO (2012)
SIMBOLISMO DO ABORTO (2012)
As Ovelhas e os Memes (2013)
Reflexões 2 0 1 3
Hipótese Benevolente sobre a Cruzada Anti-Reprodutiva (2013)
Reflexões 2 0 1 4
A Fundação do Feminismo de Segunda Onda (2014)
Aborto à Francesa (2015)
A Dignidade Humana Entre a ESQUERDA e a DIREITA (2015)
A Verdade Sobre Margareth Sanger – Ela Não Era Abortista (2015)

TELLUS X THALASSA

(terra) x (mar)

13.147 Caracteres

Existem algumas ideias que são tão poderosas que sua simples menção em poucas palavras pode evocar uma onda de novas reflexões. Por vezes bastam alguns termos, que agindo como sintetizadores conceituais, conseguem dar um sentido e coerência súbita a uma série de elementos antes dispersos na mente de alguém, que então se conectam formando uma nova percepção das coisas.

É o caso dos conceitos de Telurocracia e Talassocracia na dicotomia utilizada por Alexander Duguin, que remetendo aos termos arcaicos tellus (‘terra’ em Latim)e thalassa (‘mar’ em Grego), de imediato estipulam uma dinâmica comparativa que diz muito sobre tendências politicas e socioculturais das grandes nações cobrindo uma vasta amplitude histórica e descortinando uma nova perspectiva atual.

Não tive oportunidade de ler Duguin diretamente ainda. Tudo o que sei foi em parte resumido por Olavo de Carvalho ou expresso pelo próprio Duguin em entrevistas ou por seus estudiosos em breves artigos. Mas o ponto é que tais termos funcionam tão bem que, por si só, já permitem a apreensão de uma vasta rede integrada de conceitos. Portanto, o que traço aqui são reflexões próprias baseadas antes de tudo na eficiência semântica dessas palavras, que podem convergir ou não com as demais conclusões de outros que as tenham utilizado.

Uma civilização Telurocrática seria aquela baseada principalmente no seu vasto domínio territorial terrestre concentrado numa área continental. Já possuindo grandes domínios, precisa antes de tudo consolidar seu poder sobre ela. Isso claramente remete a China, Índia, e a própria Rússia.

Civilizações Talassocráticas seriam aquelas baseadas na abertura marítima, expandindo sua área de influência numa extensão maior, principalmente por normalmente terem origem insular ou estarem limitadas a um pequeno contingente terrestre original, porém com ampla saída para o mar. Assim, não somente Japão e Inglaterra seriam potências insulares com tendência a se expandir, mas também Portugal, Holanda e França dariam exemplos de países que não por outro motivo produziram vastas frotas navais e expansão marítima.

O ponto crucial é que telurocratas tem um domínio terrestre contíguo mais centrado, e por isso mais voltado não só para a consolidação de suas áreas internas, mas pela necessidade de intensificar sua supremacia internamente nos mais variados níveis sócio culturais, dedicando menor atenção a expansão internacional trans marítima.

Por outro lado talassocratas fazem o oposto, compensando o menor território original com um processo colonizatório expansivo, também cooptando diversas tradições culturais. Isso os torna mais cosmopolitas e diversificados, mas também num sentido pejorativo de “colonialistas” e “imperialistas”.

Continentais e Insulares

É notável que as duas mais antigas civilizações-potência contínuas do mundo, China e Índia, são telurocráticas, satisfazem essas características de tal conceito. Uma vasta tradição cultural que se embrenha em todos os níveis da sociedade, amplitude multimilenar, concentração territorial e baixa disposição para expansão para além de seus limites territoriais naturais ou artificiais. A Grande Muralha é algo que só mesmo a China para construir. Suas vastas populações também são um resultado disso, uma vocação a potência interna, em paralelo com vastos recursos naturais e humanos mesmo que na base de um massivo descarte de pessoas por meio de desigualdades sócio econômicas profundas, mas que garantem um resultado final em termos de consolidação do país em si.

Rússia, por sua vez, tem parte de tais características, mas ainda não se compara em termos de profundidade histórica, riqueza cultural milenar e nem mesmo população. Sendo esta última a única possível de ser remediada a médio prazo, não é estranho o esforço de Vladimir Putin e seus aliados no sentido de aumentar as taxas reprodutivas do país, que ainda tem baixa concentração demográfica devido a seu vasto território. Esse é o principal motivo da curta paciência russa com ideologias anti reprodutivas como homossexualismo e Feminismo, em especial devido a experiência soviética com um feminismo legitimamente marxista que tendo tudo de sincero e disposto a levar as últimas consequências seus ideais, não poderia ter outro resultado que um desastre socioeconômico e uma reação posterior que até hoje torna a sociedade russa, especialmente as mulheres, a mais antifeminista do mundo.

Também por isso tentam a missão aparentemente impossível de reverter a cultura aborteira russa, que nem mesmo Stalin com todo o peso do aparato estatal e nenhum impedimento humanitário conseguiu reverter, o que mostra só um pouco do poder social das mulheres, visto que a tradição aborteira russa precede o Abortismo ocidental. Quando mulheres de fato decidem ou aderem coletivamente a algo com um mínimo de coesão, rapidamente os homens cedem demonstrando também que a tese de opressão ostensiva dos homens sobre as mulheres nunca passou de delírio.

E por fim também mostra a independência entre Abortismo e Feminismo, onde o primeiro independe por completo do segundo, embora o segundo esteja subordinado ao primeiro.

Já os talassocráticos são países de tradição cultural menor no aspecto histórico, remontando a uma consolidação mais tardia e menos extensiva populacional e territorialmente, e que por isso mesmo o compensa por meio de um processo expansionista naval sobre outros países.

Japão seria um exemplo de potência insular de tendência talassocrática tardia, influenciada, talvez, pelo moderno contato com o ocidente. Por isso sua expansão marítima só se ampliou além da costa asiática na Segunda Guerra Mundial.

Mas os exemplos talassocráticos por excelência são os europeus, começando com Portugal, Holanda, França, mas atingindo o apogeu principalmente na Inglaterra. E se tem precedentes históricos, como o Império Romando partindo da Itália no Mar Mediterrâneo, só atinge potência global na Idade Moderna, com o Império Britânico inaugurando o domínio talassocrático mais amplo da história, a ponto de colonizar a própria Índia e parte da China.

Comércio, Colonialismo, Capitalismo

Agora, vejamos o ponto crucial. O que levou a Coroa Britânica a tal ousada empreitada?

Não foi uma mera volição nacional expansiva como a napoleônica, nem mesmo uma expansão de ordem religiosa ou puramente militar, ainda que contando com vasto apoio bélico. Sua verdadeira motivação foi econômica, para ser mais exato, a Companhia Britânica da Índias Orientais, a primeira Mega Corporação Transnacional da história, e a mais bem sucedida entre as 3 companhias européias que surgiram no século XVII.

Isso nos leva ao momento contemporâneo. A mais evidente potência talassocrática atual são os EUA. Apesar de um vasto território, são herdeiros da mentalidade inglesa, e tendo saída para os oceanos Atlântico e Pacífico, concentram populações costeiras. E o mais importante: elevam à máxima expressão o modelo expansionista talassocrático que alia os interesses comerciais corporativos com o poder militar, impondo a “liberdade” econômica quer seja pela via cultural, comercial ou bélica.

Ao mesmo tempo, as potências telurocráticas Russa, Chinesa e Indiana continuam se concentrando internamente, sem evidentes pretensões expansionistas além do mero comércio, intenso mas discreto, de troca de interesses e produtos. São as ideologias européias ou norte americanas que invadem o mundo, e não as orientais. Até mesmo as ideologias de esquerda clássica que tiveram grande repercussão no oriente foram criadas na Inglaterra ou países europeus adjacentes. Jamais uma ideologia de origem legítima oriental pretendeu se expandir de modo comparável ao que o faz o Cristianismo, nascido num ambiente de tendência talassocrática, ou o Islã, que também possui alguma verve nesse sentido, embora temperada por uma tendência mais telúrica, talvez por se situar num meio termo geográfico já evidenciado na mera expressão Oriente Médio.

Hoje se nota claramente que o poderio dos EUA é radicalmente dependente de sua influência internacional, enquanto o das potências telurocráticas é muito mais centrado em administrar seus próprios recursos e num modelo de comércio muitíssimo menos invasivo. Por isso o avanço do Neoliberalismo sobre a América Latina e a indisfarçável cobiça sobre recursos naturais como os da Venezuela ou do Brasil, o que coloca toda a questão ideológica como mera fachada de uma questão econômica realmente determinante.

Mas a já tão falada Eurásia é farta em recursos naturais próprios, além de sua vasta população que agora passa por um acelerado processo de elevação de padrão de vida, se tornando poderoso recurso humano. Por serem centradas em si, são refratárias aos avanços ideológicos ocidentais muito mais do que aos avanços econômicos, com os quais aceitam de bom grado a relação comercial, mas rejeitando todo o adicional cultural envolvido além da mera superficialidade estética.

Por isso, ao pesquisar por Feminismo na China, tem-se resultados que oscilam do trágico ao hilário. Órgãos de governo centrados nas questões femininas com uma terminologia que parece convergir para nossos grupos de “estudos de gênero”, mas que valorizam a mulher tradicional e rejeitam liberação sexual (Esse artigo, em inglês, é parcialmente traduzido e comentado em português em Feminismo ao Estilo Chinês). Nem um pingo de discurso anti patriarcal ou críticas à “cultura de estupro” ou “objetificação da mulher”, na verdade até mesmo uma intolerância quanto a iniciativas similares. Ao mesmo tempo, privilégios legais dados a mulheres não são novidade alguma. Em todas as potências orientais o aborto incondicional é liberado desde sempre, direitos de divórcio, propriedade e herança são hoje garantidos. E a desigualdade das taxas de expectativa de vida e de mortes prematuras continuam, como sempre, em larga vantagem para as mulheres.

A Talassocracia Contemporânea

Como se vê, a era Capitalista é bem mais compatível com o modelo talassocrático, não sendo surpreendente que modelos Socialistas de fato foram vingar mais na Eurásia telurocrática. Simbolicamente, China é o Reino do Meio, o centro do mundo. Índia é a mãe de todas as tradições, e a Mãe-Rússia não tem vergonha de simbolizar um domínio terreno que permite associação até mesmo com o subterrâneo. A exemplo do Hino da Internacional Comunista (analisado AQUI por Olavo de Carvalho com uma superficialidade decepcionante, ainda que assumidamente fragmentária e anárquica). [O Hino originalmente composto em francês pode ser amplamente visto na internet em diversas versões traduzidas. (Não confie em apenas uma versão. Todas o distorceram significativamente, incluindo a soviética.)] Bem como da espontaneidade com que se inclinam até mesmo com simbolismos da cultura popular assumidamente malignos, como visto em A Rússia não tem medo de ser Mordor.

Aplicando leitura simbólica similar à talassocracia, é evidente que ela pode ser estendida também a um domínio aéreo ou mesmo espacial. Seria mera coincidência que, apesar de ter largado em ampla na dianteira na corrida espacial, A URSS tenha deixado a “colonização” da Lua para os EUA? E tenha ocorrido exatamente o mesmo com Marte?

Não é que a Eurásia seja promissora no sentido de um futuro socialista. Jamais foi! Não é que o ocidente tenha revolucionado, como disse Marx, com o advento do capitalismo, apenas elevou seu modelo talassocrático a um novo nível, enquanto China e URSS apenas cooptaram uma proposta mais parecida com suas tradições ainda que numa nova roupagem. No fundo, jamais foram socialistas de fato pois este sempre pressupôs a internacionalidade.

A Alemanha, que possui alguma verve telurocrática apesar de estar mais perto da tradição talassocrática, promoveu um dos mais bizarros non-sense ao criar um Nacional-Socialismo, que é tão contraditório quanto um Ateu-Cristianismo, pois o cerne da doutrina socialista pressupõe a aliança internacional de classe, sem a qual qualquer revolução local seria inútil pelo simples fato dos detentores dos meios de produção poderem simplesmente deslocar seus parques industriais de um país para outro. Portanto ou o socialismo tem que ser global, ou pelo menos vastamente ostensivo, ou tem que praticamente aprisionar sua população para impedir um êxodo que o sabota.

Além do mais o Nazismo fortaleceu, ao contrário do que pretendiam os socialistas, a estrutura de classe de sua sociedade, ainda que diluindo as tensões entre as classes por meio da identidade nacional comum a todos os alemães, ou ao menos aos arianos.

No fundo, o que a Telurocracia inclui é um Nacionalismo, uma valorização da cultura e sociedade interna e das tradições que as mantem civilizacionalmente coesas. URSS e China promoveram revoluções culturais, mas nenhuma delas conseguiu erradicar os fundamentos tradicionais que resistiram a toda sorte de perseguição. Hoje a Rússia está reconciliada com a Igreja Ortodoxa, e a China apenas substituiu o culto ao imperador pelo culto a Mao Tsé Tung, continuando tão chinesa quanto sempre foi.

Dito de outra forma, a distinção entre Telurocracia e Talassocracia é mais uma forma de expressar a tão falada distinção entre Oriente e Ocidente, que já explorei inúmeras vezes em textos como A Liberdade e os Hemisférios ou Estado e Indivíduo, do Mínimo ao Máximo. Mas enfatizando um dos motivos ambientais possivelmente primordiais dessas diferenças. No primeiro caso, uma vasta extensão territorial continental, no segundo, uma maior fragmentação de terras ao longo da costa marítima, ou um isolamento insular.

Simbolicamente, pode até mesmo ser feita uma leitura dos elementos Terra e Água como característicos do grau de rigidez e flexibilidade de tais modos civilizacionais.

E o Brasil?

Por fim, como aplicar essas categorias ao nosso país?

Por sermos herdeiros de Portugal e do Colonialismo, bem como fortemente influenciados pelos EUA, não deveríamos ser mais tendentes a Talassocracia?

Primeiro é preciso entender que, como tudo o mais, essas categorias não podem ser aplicada de forma absoluta em lugar algum. Existe tendências telúricas entre talassocratas e talássicas entre telurocratas. Mesmo os EUA possuem núcleos nacionalistas e resistentes ao mundo exterior.

Penso que no fundo, apesar dessa ambiguidade, o Brasil está mais para uma tradição telurocrática, apesar do assédio estrangeiro que sempre sofreu e da insistência liberal que sofre até hoje.

Segundo, nossa herança colonial não nos legaria uma mentalidade metropolitana exceto como executores dos mandos da coroa. Não houve preocupação inicial em transformar o Brasil num país empreendedor até que alguns colonos decidiram se estabelecer aqui e fincar raízes na terra. Por isso o Brasil não herdou uma tradição talassocrática, visto que a tendência lusitana de expansões navais jamais se replicou entre nós, exceto no discreto nível comercial. Ademais, pelo seu vasto potencial terrestre, em parte talvez por ter apenas costa leste, diferente dos EUA, bem como ter trazido a seu território um grande número de africanos que evidentemente, por motivos que devem ser agora óbvios, tem mais tendência telúrica que talássica…

Bem, por tudo isso, o Brasil ou fica num meio termo apropriado, ou se aproxima mais do modelo telurocrático. Tradição Desenvolvimentista, Integralista e Populista não nos faltam. O que falte, talvez, seja apenas uma interiorização e mergulho maior em nossas próprias tradições, e sobretudo a superação de um assédio liberal que sempre tenta nos tornar subservientes aos interesses da talassocracia norte americana.