Os 300 da Suécia

ou
Como trocar o importante pelo irrelevante.
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Como negligenciar todo um contexto político cultural quando um certo Movimento de Resistência Nórdica de teor nacionalista faz uma passeata no dia 1° de Maio, Dia do Trabalhador, na Suécia, com o emblemático contingente de 300 homens engravatados, cuja ideologia vem fortalecida após uma nova política de restrição de fronteiras para deter a entrada de imigrantes médio orientais?

Simples, focar toda a importância num gestinho simbólico pífio de absoluta irrelevância que nem a própria autora levou a sério! O quase imperceptível protesto da obscura ativista negra Tess Asplund, que sequer irei linkar aqui porque 100% de todas as notícias em português e a maioria esmagadora das em inglês ou espanhol que tocam no assunto o descrevem como ‘O Heróico ato de uma mulher negra que “desafiou” um movimento nazista’. De um perspicaz fotógrafo, tentou-se divulgá-la como um ícone histórico de resistência à opressão, apesar de ter durado exatos 4 segundos onde sequer reduziu o passo da marcha, não proferiu palavra alguma e logo foi removida, e protegida, pela polícia, e um companheiro branco que se limitou a “dar o dedo”, e sem os quais certamente ela sequer teria tido coragem de se aproximar da manifestação que seguiu adiante ignorando-a por completo.

Este breve vídeo mostra tudo o que há para ser visto atestando a total nulidade do ato, enquanto a maioria dos outros, editados, tentam fazer o ocorrido parecer mais relevante do que é. E mais. A própria autora se mostrou não apenas surpresa com a repercussão da foto mas até mesmo assustada com a possibilidade de uma hipotética retaliação. Em suas próprias palavras: “Estou em choque. Os nazistas são muito agressivos, então eu estou um pouco ‘Que merda, talvez eu não devesse ter feito isso, eu quero paz e sossego.’ Esses caras são grandes e loucos.”, disse a ativista de 1,60m e 50kg, lutando para manter a calma.1

Ela não deveria se preocupar, ninguém entre os membros do movimento nacionalista em questão parecem ter dado a mínima para ela, que evidentemente não tem nem de longe a “coragem” que a mídia está tentando lhe imputar em seu esforço de obscurecer qualquer informação relevante sobre o ocorrido, limitando-se a não apenas dizer que os manifestantes são ‘nazistas’, o que seria apenas substantivação, mas a chamá-los de ‘nazistas’, o que se torna adjetivação da versão aparentemente menos infantil de dizer que algum movimento é ‘do mal’.

Quem quiser conhecer alguma coisa sobre o acontecido, onde os manifestantes ostentavam o cartaz “Luta contra os Grandes Financistas e os Traidores do Povo”, não pode contar com a web em português. Vai ter que se virar. Mas vou fazer um breve e rápido trabalho do tipo que toda nossa praticamente inútil mídia internética achou por bem dispensar.

O Movimento de Resistência Nórdica é uma organização assumidamente Nacional-Socialista fundada em 1997 que opera na Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia, resultante de dissidências e desmembramento de organizações anteriores, muitas delas com membros criminalizados. Hoje, no entanto, atingiu o estatuto de partido político, já tendo elegido seu primeiro e único representante entre os 290 municípios suecos. Apesar dessa representatividade insignificante, boa parte da ideologia do partido está espelhada no do partido dos Democratas Suecos, de teor conservador, nacionalista e resistente à União Européia, que já detém nada menos 14% do parlamento sueco e 10% da representação sueca de 20 membros no Parlamento Europeu.2

Previsivelmente, o Site oficial do MRN não tem tradução para outros idiomas que não o sueco, o que seria de se esperar de um movimento étnico pouco amigável a estrangeiros que não os demais nórdicos, lembrando que seus idiomas, especialmente sueco, norueguês e dinamarquês, são bastante parecidos, sendo em geral inteligíveis entre si.

Neste breve vídeo da manifestação, pode-se ter uma visão melhor da passeata, que brada basicamente pela restrição a entrada de imigrantes não nórdicos, especialmente muçulmanos, pela rejeição ao sionismo, capitalismo financista e liberalismo em geral, lembrando que ao mesmo tempo, nacionalistas também são anticomunistas. Devido a dificuldade de encontrar material que não em idioma nórdico, esse depoimento anti-sinonista de 2012, em espanhol, de um dos membros da organização, pode ser bastante útil para detalhar melhor a mentalidade por trás do movimento.

Trata-se do mesmo grupo envolvido em controversa ocorrência na estação central de trem de Estocolmo. Grupos nacionalistas e conservadores descreveram com um ato pacífico de divulgação e panfletagem com algumas manifestações acaloradas, e a mídia liberal e progressista como um ato de violência contra mulheres e crianças imigrantes. A absoluta ausência de imagens de qualquer agressão num mundo bigbrotheriano repleto de câmeras, bem como a total ausência sequer de fotos de feridos, laudos médicos, boletins policiais ou mesmo depoimentos, fala a favor de um lado.

No link Swedish far-Right mob attacks migrants in central Stockholm in wake of social worker murder há praticamente o único vídeo relevante do caso, onde pode-se ver a segurança ameaçando alguém que não se sabe ser um imigrante ou um dos manifestantes, enquanto as legendas do vídeo dizem, “isso parece aquilo” e “aquilo parece isso”.

Mas agora, deixando de lado especulações e desinformações, vamos aos fatos.

A imigração em questão interessa aos grandes empresários e ao setor financista, visto implicar em mão de obra barata, o meio mais rápido, direto e fácil de baixar os custos de produção e consequentemente aumentar lucros. As meras “mãos invisíveis do mercado” favoreceriam a movimentação de trabalhadores menos exigentes dispostos a trabalhar mais por menos, para alegria dos liberais. Ainda que “mãos invisíveis” também sejam responsáveis pelas más condições de vida de determinadas regiões do globo, submetidas a séculos de colonização e exploração violenta dos mesmos países que hoje falam em liberdade, e de onde saem essas populações dispostas a pegar de volta um pouco daquilo que as metrópoles, direta ou indiretamente, lhes expropriaram. Isso quando o que se vê não sejam exércitos com armamentos de última geração, incluindo “aviões invisíveis”, destruindo a já precária infraestrutura de regiões que se tornam insuportáveis gerando migrações em massa, dentro da qual aproveitadores e manipuladores infiltram toda sorte de espiões, baderneiros e terroristas.

Uma Esquerda decente de legítimo teor trabalhista deveria receber esses imigrantes, fiscalizá-los e sindicalizá-los, descartando, claro, os mau intencionados, garantindo aos trabalhadores estrangeiros os mesmos direitos trabalhistas e equipará-los à mão de obra nativa. Isso impediria que os imigrantes, pelas precárias condições de vida, formassem guetos no país que os recebe, evitaria desemprego expressivo entre a mão de obra nativa, e desincentivando a migração, trocaria a grande quantidade de trabalhadores imigrantes por maior qualidade dos que em menor quantidade emigrassem.

Mas a Suécia é o expoente mundial no processo corruptor que despojou a Esquerda de toda sua dimensão econômica para transformá-la no pior tipo de neoesquerdismo feminista, LGBTT, racialista, abortista, vitimista e hipócrita até não restar nem mais um pingo da Luta de Classes original e toda ela passar a servir ao mesmo poder econômico que finge combater. E ainda que boa parte disso se deva ao fato da escandinávia ter atingido tamanho padrão de vida que fica difícil outra coisa que não decair, lembremos que ela foi escolhida como o maior laboratório social mundial para experiências liberais que foram da total desregulação sexual para a mais restritiva afetação puritana típicas da esquizofrenia feminista.3 Visto que a cultura nórdica parece desde sempre receptiva a tais noções como já o apontava o viajante árabe e erudito muçulmano Ahmad ibn Fadlan, no Século X. Bem como na mesma época outro estudante muçulmano, o viajante persa Ahmad ibn Rustah, destacou a grande receptividade dos nórdicos a estrangeiros. 4

Os nacionalistas, incluindo os que ainda insistem no paradoxal conceito de ‘nacional-socialismo’, que são considerados Extrema-Direita apesar de serem absolutamente hostis ao grande Capital, encarnam o tradicional papel belicoso de defesa étnica e territorial que se é o responsável histórico por toda força de uma população e o fundamento de qualquer civilização, também é, nessa modalidade, obsoleto diante da força dos Estados Nacionais cooptados pelo Capital Transnacional. E esse papel de resistência costuma ser feito sem a sofisticação necessária para afastar o estigma de xenofobia e truculência, mesmo quando não é o caso, minimizando possíveis alianças com abordagens tão corajosas quanto, mas mais articuladas e que sabem focar no verdadeiro inimigo, que não é o pobre trabalhador imigrante, e sim as elites econômicas que a todos exploram.

Resultado: Vitória dos mesmos Grandes Financistas e Traidores do Povo, que controlando o Estado por meio dos partidos, conseguem pela esquerda corrompida e vendida ao interesse elitista mal disfarçado, taxar qualquer reação nativa de nazista, racista, fascista, machista e todos os adjetivos rotulantes cuja principal função é paralisar o pensamento e disparar reações pavlovianas que jamais permitirão a apreensão do possível conteúdo por trás deles. Bem como, pela direita corrompida pelo interesse elitista explícito, cooptar à justificada rejeição ao neoesquerdismo corrupto para engrossar as hostes dos que deveriam defender a tradição mas passam a defender o direito irrestrito do poder econômico em explorar ainda mais os trabalhadores.

Em suma, as elites bancárias e empresariais, em grande parte sionistas, manipulam a tudo pela farsa de uma “luta” entre o Liberalismo Econômico, à direita, e seu irmão de sangue Liberalismo Cultural, à esquerda, que corrói o poder de mobilização dos trabalhadores pela substituição da pauta econômica pelas pautas separatistas de raça, sexualidade e principalmente gênero, que também tem como função principal reduzir as taxas reprodutivas.

Somente o pensamento varonil jovial pode se iludir ao ponto de achar que a defesa de uma nação pode ser feita apenas pelos braços armados masculinos. Se para cada um daqueles 300 houver uma mulher disposta a gerar ao menos 3 descendentes, então eu apostaria que se trata de uma resposta séria e promissora no sentido de preservação étnica de um nicho populacional já bastante reduzido. Mas se estivermos falando de um bando de solteirões ou mesmo maridos cujas esposas trocam a família pela carreira em corporações privadas e estatais a serviço da mesma elite financista supracitada, então tal reação não passa de um espasmo final de desespero de uma cultura moribunda e sem chance de se reerguer.

Pois além de esmagada pela totalidade do poderio econômico, estatal e midiático, ainda estaria sendo vítima da maior de todas as armas de destruição populacional em massa já inventadas, o genocídio lento e silencioso da erradicação populacional por não reprodução.

No máximo, o que resta aos simbólicos 300 é relembrar o papel dos antigos espartanos no desfiladeira das Termópilas (que hoje são tidos como heróis mas eram mais xenófobos e truculentos do que qualquer nazista jamais sonharia ser) diante do poderio colossal combinado do Grande Capital, do Sionismo Bancário Transnacional, do Estado vendido, e aos muitos milhões de imigrantes, especialmente muçulmanos, que ainda pretendem invadir o país.

Mas esse papel de Leônidas, a grande mídia, controlada pelas mesmíssimas forças supra citadas, já reservou à “brava” ativista negra (devidamente protegida por homens em câmeras e armas) que realizou um gesto de absoluta insignificância a não ser para quem quer distorcer por completo toda a realidade e apresentar o tabuleiro de desiguais forças completamente invertido.

Marcus Valerio XR

25 de Maio de 2016

1. Tradução minha de citação em inglês em Woman who defied 300 neo-Nazis at Swedish rally speaks of anger

2. O Partido dosDemocratas Suecos, fundado em 1988, saiu da obscuridade a partir de 2010, quando finalmente conseguiu representatividade para adentrar o parlamento do país, passando a crescer continuamente em reflexo a uma reação popular cada maior às políticas neoesquerdistas dominantes na Suécia. Hoje é o terceiro maior partido do país, com 49 parlamentares eleitos. Já o Parlamento Europeu é composto de 754 membros, 20 sendo suecos dos quais dois são do referido partido. Em conjunto com outros partidos de naipe ideológico similar, o nacionalismo ganha expressiva força na política da União Européia, inclusive apresentando muitas vezes o que é chamado de euroscptism, uma forte descrença, crítica ou mesmo rejeição à ideia de União Européia. Ainda assim são menos numerosos que os Liberais de Esquerda ou de Direta.

3. Embora pouco divulgado, muito se fala na Suécia como uma cobaia para experiências sociais, especialmente feministas, exatamente por sua já histórica tendência a igualdade de gênero. Desde breves artigos como MARRIAGE AND FAMILY: Swedish social laboratory’s disastrous legacy, a livros como The Social Laboratory, the Middle Way and the Swedish Model: three frames for the image of Sweden, bem como o artigo sobre o livro A Brief Story of Swedish Sex: How the nation that give us free love redefined rape and declare war on Julian Assange.


4. Os artigos da wikipedia sobre Ahmad ibn FadlanAhmad ibn Rustah são bastante informativos. Mas no primeiro caso o texto Among the Norse Tribes: The Remarkable Account of Ibn Fadlan é bem mais detalhado. Ahmad Idn Fadlan foi romanceado pelo escritor de Ficção Científica Michael Crichton na obra Os Devoradores de Mortos, que como grande parte das obras deste escritor foi transformada no filme O 13o Guerreiro, no qual foi interpretado por Antonio Banderas.

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À ESPERA DE UM “MILAGRE” (econômico)

14 mil Caracteres

Uma Luz na Escuridão

Em meio ao constrangedor festival de imoralidade, hipocrisia e estupidez que nossa classe política tem demonstrado nos últimos meses, eis que surge um discurso que sozinho quase é capaz de reestabelecer o equilíbrio entre as infindáveis hordas da miséria intelectual e os poucos luminares que permitem alguma compreensão da realidade.

Ao proferir seu voto em 12/05/16, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), expõe a completa impostura do atual processo parlamentar,, inclusive a desonestidade de seu próprio partido, e dá uma breve mas preciosa aula de história e economia.1 O discurso merece ser visto na íntegra, e é esclarecedor e poderoso por si próprio tanto para as mentes mais humildes quanto para as mais exigentes, excetuando aquelas que preferem rejeitá-lo a priori devido a um compromisso obtuso com os dogmas liberais atuais.

Muitos libertários e anarcocapitalistas, por exemplo, paralisam a própria cognição ante qualquer menção do termo ‘neoliberalismo’, convictos de que sua doutrina, ao definir de forma distinta o conceito, faz desaparecer a realidade por trás da definição de seus adversários. Como se as políticas de desregulamentação de capitais, isenção de impostos das grande fortunas ou privatizações típicas do Consenso de Washington inexistissem porque o termo aplicado a elas não seria perfeitamente adequado.2

Mas o que há no discurso de Requião de mais profundo, preciso, e até mesmo espantoso devido a ousadia, nem é o que foi mais amplamente exposto, mas sim os poucos comentários que apenas apontaram para um fato histórico que ele fez por bem em não expor demais, ou seu discurso já teria entrado no noticiário como algo absolutamente diferente do que de fato é, tendo seu verdadeiro sentido obscurecido por completo.

Ao defender que deveríamos aplicar políticas econômicas anti-cíclicas invés de repetir pela enésima vez o mesmíssimo veneno neoliberal que destrói as economias de países inteiros enquanto multiplica a fortuna das oligarquias que o financiam, Requião lembra discretamente a República de Weimar, citando o economista Hjalmar Schacht, e até mesmo lembrando que estamos a falar de uma abordagem que adentrou a Alemanha de Hitler, eliminou em tempo recorde uma depressão econômica devastadora que a maioria dos brasileiros jamais poderia imaginar, e levar o país da ruína à condição de maior potência mundial.

Ante iso a reação da maioria é travar o raciocínio e invocar os horrores do Nazismo, rejeitando em bloco tudo o que esteja associado a esse tempo local como inerentemente maligno e bloqueando maniqueisticamente a possibilidade de entendimento. Afinal, todos nós estamos a nossa vida inteira sendo doutrinados a fazer isso.

Mas quem se atreve a pensar em como foi possível um regime ter atingido tamanho poder? Como Hitler conseguiu a fidelidade irrestrita de praticamente todo o povo alemão disposto a seguí-lo até a morte? O que o Terceiro Reich fez para garantir tamanho apoio das massas?

O Milagre Econômico Alemão

Após a Primeira Grande Guerra, à derrotada Alemanha foi imposta uma dívida em condições nitidamente insuperáveis, jogando o país numa bancarrota aparentemente irreversível. Os maiores credores da dívida eram o grande sistema bancário que no caso era quase totalmente judaico, o que deve ser lembrado para mostrar que o extremismo antissemitismo nazista teve, na realidade, origem na questão da exploração econômica.

O banqueiro e político alemão Hjalmar Horace Greeley Schacht3, foi dos principais responsáveis pela recuperação do país, começando seu trabalho desde a época da República de Weimar, quando conteve a hiperinflação, e continuando após a ascensão do Nazismo, a convite do próprio Hitler, combatendo o desemprego e gerando desenvolvimento em infraestrutura. Apenas quando a Alemanha passou a concentrar seus esforços no sentido bélico, Schacht, que era contrário aos planos expansionistas e militares nazistas, foi colocado em funções secundárias desvinculadas da economia. Até se opor ao regime nazista inclusive apoiando esforços de derrubar Hitler.

E como a Alemanha conseguiu, em cerca de uma década, reerguer um país devastado pela guerra, com dívidas astronômicas impagáveis e onde o dinheiro estava tão desvalorizado que mais valia queimá-lo para obter fogo do que comprar combustível? Como superou uma inflação que, diferente de nosso planos econômicos do final do século passado que costumavam cortar 3 zeros, exigiu dos alemães que cortassem de uma só vez 12 zeros?! Sim! Pois a moeda introduzida por Schacht, o Retenmark, equivalia a 1 TRILHÃO de marcos!4

Por melhores que sejam as respostas que vemos em artigos diversos5 sobre o tema, podemos destacá-las de uma forma simples: as abordagens econômicas alemãs minimizaram drasticamente o elemento financeiro rentista parasitário! Invés de trabalhar ao quadrado para pagar taxas de juros arbitrárias, infinitas e injustificáveis, todo o esforço de recuperação alemão foi unicamente concentrado na restruturação da economia interna, emitindo moeda própria controlada diretamente pelo Banco Central alemão, minimizando os vínculos diretos com o sistema financeiro externo, o que lhes permitiu pouca vulnerabilidade à Crise Global de 1929, e fornecendo crédito a ser pago de forma concreta pelo, e para o próprio país.

Os empreendedores e a população em geral podiam solicitar empréstimos sem juros ao banco estatal que depois deveriam ser pagos na forma de incentivos à economia do país, como gerar mais empregos, investir na infra estrutura, fornecer materiais e mão de obra mais baratos para outros setores etc. Invés de simplesmente enviar quase todo o excedente de produção para exponenciar as fortunas privadas dos vampiros financistas, que é o que faz boa parte do mundo há mais de um século.

Cortando o Parasita

Pode ser estranho imaginar algo tão fora da uma realidade na qual nascemos e pela qual somos bombardeados desde o berço de forma onipresente por todo nosso universo econômico circundante. Mas a verdade é que uma vez removidos os parasitas usurários do sistema financeiro, o crescimento econômico é relativamente simples, capaz de prodígios que nada seriam impressionantes não fosse o fato de serem sistematicamente ocultados, negligenciados e demonizados pela quase totalidade das forças de mídia e formação cultural que nos afligem.

Foi assim que em grau menor, a Rússia saiu de uma condição agrária atrasada a potência espacial e nuclear soviética em poucas décadas, que Cuba, mesmo isolada e embargada numa ilha, criou um dos melhores sistemas de saúde do mundo e a China está se tornando a maior potência do planeta. Coisas similares ocorreram em escala mais modesta no Irã, Síria, Venezuela, Islândia e outros exemplos, que não por outro motivo são constantemente ignorados ou pichados como infernos pela grande mídia e nossos pequenos liberalóides doutrinados por máquinas de lavagem cerebral financiados desde oligarquias bilionárias dos EUA.

Não que tais exemplos não tenham seus problemas, muitos deles seríssimos, ou nos sirvam exatamente de modelo. Mas o motivo primordial pelo fato de estarmos acostumados a não vê-los, ou vê-los pelo pior prisma possível é o fato de serem a prova viva de que é possível, e até mais adequado, prover crescimento econômico e desenvolvimento para um mais amplo espectro da população invés de priorizar à ganância bancária e a monstruosa máquina de criação ex-nihilo de dinheiro virtual para enriquecimento exclusivo da elite plutocrática.

Imaginemos, por exemplo, o que aconteceria se de repente deixássemos por completo de pagar a Dívida Pública, que consome praticamente metade do dinheiro de nossos impostos. De uma hora para a outra todos os preços cairiam ao mesmo tempo que todos os salários aumentariam sensivelmente. Todos os setores produtivos seriam melhor remunerados e o dinheiro circularia de forma a incentivar ainda mais o consumo e produção.

Mas a questão que evidentemente surge é: qual seria o prejuízo da supressão de tal dívida?

Da Proteção à Extorsão

Outrora bancos guardavam metais ou pedras preciosas protegendo-as de ladrões e cobrando pelo serviço de proteção. Posteriormente passaram e emprestar valores que não eram seus, num contrato de risco e confiança que contava com a não insolvência de uma possível corrida bancária (o saque súbito de grande parte de seus valores por seus proprietários) e cobrando uma taxa de juros que poderia ser vagamente justificada por esse risco em si.6

Depois passaram a imprimir papel moeda, e já é estranho um sistema que emite cédulas que apenas ‘podem’ estar realmente embasadas em valores reais, elevando os processos inflacionários a níveis antes historicamente impensáveis. Mas ainda mais bizarro é o Sistema de Reservas Fracionadas, que permite que os bancos emprestem valores várias vezes superiores ao que de fato possuem em lastro. Ou seja, além de emprestarem um dinheiro que não é deles, ainda “emprestam” um dinheiro cujo lastro na realidade não existe, e hoje sequer precisando imprimir cédulas, visto que a única coisa necessária a fazer é digitar valores no sistema informático imediatamente, na prática, apenas autorizando trocas de valores virtuais que posteriormente exigirão trabalho real de quem realmente sustenta a economia do mundo, que são os trabalhadores.

São estes que em última instância irão trabalhar a mais para pagar as arbitrárias taxas de juros, pois alguém tem que produzir posteriormente as riquezas correspondentes os valores que foram literalmente inventados pela Reserva Fracionada, que são pagas não para quem produziu, mas para quem “emprestou um dinheiro que não existia” e que controla o sistema de emissão de moeda, mas que nada produz!

Mas esses setores financeiros usurários hoje controlam praticamente todo o sistema produtivo e político, e somente por isso aplicar-lhes uma calote da dívida se torna realmente arriscado, devido a seu poder de retaliar de forma severa qualquer país que se atreva a não se submeter a essa exploração.

De protetor contra a ameaça dos ladrões, o sistema bancário se tornou como a máfia que cobra taxas de proteção, extorquindo toda a humanidade por meio de um sistema que já escravizou a quase totalidade da economia.

Por isso o exemplo dos países que aplicaram medidas anti-cíclicas, especialmente daqueles que outrora romperam quase por completo com o sistema financeiro, é um tema praticamente tabu, pois eles nos lembram que não só é possível escapar dessa macro exploração, como ela pode ser totalmente dispensada com absoluto ganho para a totalidade da humanidade exceto a ínfima fração que controla e se beneficia desse sistema.

O “Milagre” Desvelado

Analogamente, lembremos que a sociedade demanda serviços e produtos que evidentemente exigem a força de trabalho e organização administrativa, sendo a primeira a que emprega a grande maioria da humanidade, e a segunda os postos de liderança e controle burocrático. Mas estes últimos podem ser perfeitamente estatais, visto que há inúmeros casos de empresas completamente públicas produzindo eficazmente, bem como também de empresas cooperativas que não possuem a figura dos proprietários exclusivos cuja principal característica é se apropriar dos lucros.

Ou seja, enquanto os trabalhadores são absolutamente vitais para qualquer tipo de empreendimento, os administradores podem ser públicos ou cooperados, o que significa que a figura do proprietário dos meios produtivos é perfeitamente opcional, na melhor das hipóteses, se não dispensável, e praticamente toda a ode liberal pode ser resumida a um discurso infindável para nos convencer da absolutamente necessidade e infinita vantagem dessa contingência questionável, tratando-a com tamanha reverência e falsa importância que chega ao ponto de obscurecer por completo o que há de mais importante, que é a base trabalhista.

A necessidade de um sistema que vai ainda mais além na dispensabilidade, as elites financistas que vivem da criação de um dinheiro inventado de forma arbitrária e abusiva, é na verdade não apenas opcional, mas também claramente nociva! Um sistema parasitário cuja eliminação resulta num resultado tão benéfico que parece um milagre!

Estamos tão imersos na fraude, na mentira e na sistemática corrupção da realidade que as coisas mais simples soam como se fossem graças divinas. Quer seja um discurso que literalmente diz apenas o óbvio, mas que em meio ao lamaçal de patifaria e ignorância de nosso congresso brilha como a mais bela das revelações, ou num sistema econômico tão corrupto, alienado e hipócrita que a simples eliminação do falsários que o controlam parece por si só miraculosa.

Milagre esse ao qual não podemos ficar apenas esperando.

Marcus Valerio XR

18 de Maio de 2016

Referências

1 – Roberto Requião declara seu voto contrário ao Impeachment da Presidente Dilma. O assunto em si é iniciado aos 38 segundos. E há também uma intervenção de Renan Calheiros totalmente dispensável e que foi devidamente ignorada pelo senador Requião. Já no vídeo Francamente, é o Brasil que está em jogo, Requião sintetiza o assunto que fora antes tratado em quase 14 minutos para menos de 4, no entanto, subtraindo as referências ao Milagre Econômico Germânico.

2 – Alguns exemplos de argumento liberal de “não existe neoliberalismo” podem ser vistos em Você usa o termo neoliberal? Apenas pare., que como o próprio título sugere tem um teor jovial, para não dizer adolescente, apesar de apresentar informações interessantes dentre os típicos sofismas liberais. Já O conceito de neoliberalismo faz uma abordagem mais séria e suscinta, advogando que melhor seria usar o termo ‘neo-intervencionismo’, o que de fato seria totalmente acertado a não ser pelo fato que liberalismo algum existe no sentido verdadeiramente preciso do termo! Ao menos não no terceiro planeta por ordem de afastamento da estrela amarela de quarta grandeza conhecida como Sol. Mas se você tiver estômago para experimentar o baixissimo nível predominante do discurso libertário / anarcocapitalista tente assistir ao vídeo O Que É Neoliberalismo de um sempre péssimo canal liberalóide.

De qualquer modo, toda essas argumentações podem ser resumidas num sofisma que confunde a precisão do termo com o objeto em si, como se o fato de ‘vampiros’ no sentido tradicional serem entidades lendárias fizessem o assassino serial conhecido como ‘Vampiro de Niterói’ não existir! É fato que muitos dos que usam o termo ‘neoliberalismo’ realmente tem vaga ideia do que se trata, mas isso se aplica a literalmente todos os conceitos teóricos! É até comum os próprios críticos do neoliberalismo admitirem que no fundo ele nada tem de ‘novo’ e muito menos de ‘liberal’, mas isso também se aplica a praticamente tudo o que se rotula de ‘liberal’ na atualidade, compondo uma massiva fraude conceitual. Para um texto curtíssimo de alguém que realmente entende e destrincha o histórico do conceito, e se considera um liberal no sentido clássico, veja
Uma Breve História do Neoliberalismo.

Enfim, o que eu e praticamente todo crítico quer dizer com ‘neoliberalismo’ hoje em dia são as políticas econômicas relacionadas às doutrinas dos Chigago Boys e do Consenso de Washington.

3 – Artigo Wikipedia sobre Hjalmar Horace Greeley Schacht.

4 – Dado fornecido em The Worst Hyperinflations in History: Hungary, apesar de tratar majoritariamente da Hungria. Já Financial Consequences of the First World War on Germany dá tabelas detalhadas do processo inflacionário.

5 – Em Uma Interpretação do Primeiro Milagre Econômico Alemão temos uma descrição bastante detalhada do assunto, com um viés mais crítico. Já Como Hitler Enfrentou o Desemprego há uma abordagem mais favorável ao modelos econômico do Terceiro Reich.

Muita da dificuldade de lidar com este tema deriva também do fato de outros responsáveis pela recuperação e expansão econômica da Alemanha em plena retração da economia mundial são figuras muito mais controversas, como Hermann Goring, que foi ministro da economia do Reich, e foi condenado a morte no julgamento de Nuremberg devido a seu envolvimento com o holocausto. Ou o secretário de estado Fritz Reinhardt, que inclusive deu seu nome a um dos planos econômicos, e embora não tenha qualquer envolvimento mais direto com crimes de guerra, é frequentmente confundido com Reinhard Heydrich, este sim um dos mais temidos nazistas e um dos principais responsáveis pelo holocausto.

6 – Descrevi melhor esse tema num post em 8 de Junho de 2015, tambem disponível nos periódicos de JUNHO DE 2015 em meu site.

Marcus Valerio XR

18 de Maio de 2016