Globalização, Globalismo e Globismo

Globismo, Globalismo e Globalização

Vejamos um esforço de diferenciação destes 3 termos, que estão em ordem inversa de popularização, pois Globalização tem sido uma palavra exaustivamente repetida nas mídias, Globalismo tem se popularizado recentemente, e Globismo permanece como um termo exótico e de nichos específicos.

A confusão entre os dois primeiros já é constante na língua inglesa, sendo que globalization e globalism por vezes são vistos como sinônimos, por vezes como antagônicos ou mesmo como termos hierarquizados, onde globalization seria uma medida de globalism.

Em português também tem havido confusões similares e por vezes em sentido contrário, e uma simples busca no Google há de mostrar opiniões largamente distintas. No entanto, parece haver um meio de compreendê-los que resiste à maior parte das confusões.

 GLOBALIZAÇÃO

Seria qualquer forma de internacionalização de coisas e procedimentos, em especial comércio, trocas e deslocamento de pessoas. A ideia de uma “aldeia global”, hoje amplificada graças aos novos meios de comunicação e transporte, mas que já ocorre em escala menor há milênios, e exemplo da expansão dos impérios antigos, da Rota da Seda, de desbravadores como Alexandre Magno ou Marco Polo, bem como as grandes navegações e descoberta do Novo Mundo.

Frequentemente é vista de forma neutra, como um fenômeno espontâneo e inevitável, com benefícios e malefícios intrínsecos. Por um lado facilita o comércio e acesso a bens de consumo mesmo por parte de populações mais pobres, por outro dificulta o desenvolvimento devido a dificuldade de competição que favorece os países mais ricos. Políticas protecionistas são vistas como opositoras da globalização, que em geral pressupõe o Liberalismo tanto Econômico quanto social, visto que costumes e culturas também se misturariam e transitariam pelo globo.

 GLOBALISMO

Quase sempre visto de forma pejorativa pelos usuários do termo, muitos dirão que é o lado ruim, ou mesmo a verdadeira face, da Globalização, pois enquanto a primeira parece apenas afirmar uma dissolução de barreiras entre os povos em função de um “livre mercado”, o Globalismo seria a imposição de um modelo único por parte de uma força central específica que submete todo o planeta.

Assim, embora haja utilizações diferenciadas e por vezes mesmo invertidas destes termos, em geral os usuários dirigem suas críticas ao Globalismo, pois se há pouca disposição em criticar a simples abertura comercial, que pode ser tanto benéfica quanto maléfica mesmo para alguns países menos desenvolvidos, por outro lado sobra disposição para criticar qualquer forma de imposição dos mais desenvolvidos sobre os ainda em desenvolvimento. Nesse sentido, o Globalismo é visto como uma forma de Imperialismo.

No entanto, pode-se afirmar que o Globalismo seria o resultado inevitável da Globalização, visto que os países mais desenvolvidos inevitavelmente levam vantagem na “livre” competição internacional, terminando por dominar os mercados. Mas também é possível reverter o enfoque e dizer que grande parte dessa vantagem deriva justo de uma má globalização, que por vezes se dá de forma assimétrica, com os países mais desenvolvidos forçando a abertura dos países menos desenvolvidos, mas eles próprios se abrindo pouco em contrapartida.

Via de regra, costuma-se dar um forte enfoque culturalista na reação ao Globalismo, que evidentemente teria como maior foco de irradiação os EUA, impondo seus consensos culturais liberais a todos os povos com um farto arsenal de rótulos depreciativos contra qualquer resistência, embora seja bom notar que a própria cultura norte americana é em larga parte também refratária a esses valores, o que leva a inevitável conclusão de que o Globalismo não é ditado pelo país, mas pela elite financeira internacionalista, sem vínculos reais com o povo.

 GLOBISMO

Por fim, apesar das confusões, talvez este terceiro termo exclusivo de nosso idioma venha ajudar no esclarecimento. Esse neologismo tem sido usado para se referir aos interesses e sistema de pensamento das organizações Globo, em especial da Rede Globo de Televisão.

Por uma feliz coincidência, o nome dessa cadeia empresarial, pertencente a um seleto grupo da elite bilionária brasileira, se encaixa perfeitamente com o tema em questão. A Rede Globo seria então o maior representante do Globalismo no Brasil, replicando os interesses não exatamente dos EUA, mas da elite econômica internacionalista que de fato impõe o globalismo imperialista.

É perfeitamente evidente que a Globo defende valores alheios ao da maior parte da população, se posicionando sempre de forma liberal a respeito de temas polêmicos como aborto, homossexualidade, Feminismo etc, ainda que em geral de forma sutil visto depender da audiência de uma população sabidamente conservadora.

Da mesma forma, também se posiciona favorável ao liberalismo econômico por meio do apoio, por vezes nem tão sutil, a ideologias e partidos políticos com propostas desregulatórias, privatistas e rentistas. Visto tudo isso ser de perfeito interesse das elites financeiras, as maiores beneficiárias do ambiente liberal.

São exatamente estes os interesses do Globalismo, que visa impor o liberalismo econômico e o liberalismo cultural ao máximo possível ao redor do mundo, embora com largo sucesso apenas no ocidente. Assim, a Globo é um exemplo perfeito desse alinhamento ideológico.

Por fim, ainda que se possa distinguir o Globalismo da Globalização, não muda o fato de que este último é do interesse do primeiro, visto ser no ambiente globalizado do mercado “livre” internacional que o Globalismo usufrui das vantagens de atender aos interesses de quem já possui muito poder e encontra maior facilidade de, em geral de forma sutil, impô-lo à toda parte da mais ampla forma possível. E se necessário, apelando ao uso da força para impor a “democracia” e a “liberdade” mesmo aos povos que não estão interessados nela, característica indelével do Imperialismo.

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Uma opinião sobre “Globalização, Globalismo e Globismo

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