Feminismo “Benevolente” e Feminismo Radical

O maior órgão de propagação feminista do Brasil, a Rede Globo, estreou um de seus programas com dedicação total e absoluta a essa ideologia, que foi apresentada sem sequer uma única nota de crítica em seu mais “benevolente” formato.
‘Amor & Sexo’ fala sobre feminismo em programa de estréia. Confira!

Como de praxe, não houve espaço para polêmica ou debates, foi propaganda total e integral. Para quem quiser conferir, cá está o vídeo do programa na íntegra. AMOR E SEXO 26/01/2017 Começando com homens amordaçados, o programa chegou a simular uma sessão de tortura e lavagem cerebral para desconstruir o “machismo” dos homens, com as típicas fraudes feministas como respostas corretas a serem respondidas sob punição corpóreas para respostas erradas.

Dois dias depois, uma das maiores ONGs feministas do país, o Geledés – Instituto da Mulher Negra, publicou um texto severamente crítico ao programa, intitulado
O feminismo da Globo é o feminismo que nos aprisiona

Fez alguns questionamentos paralelos, como a participação evidente da Globo no golpe parlamentar que tirou a primeira mulher presidente do Brasil do poder, ou o fato óbvio das organizações dos Marinho ser um ícone do capitalismo. Crítica bastante curiosa considerando que o Geledés, que não se trata de trabalho voluntário já recebeu milhões de dólares de fundações norte americanas sustentadas pela nata do Capitalismo Global, como a Kellogs FoundationInter-American Foundation ou Brazil Foundation para citar só algumas.

Mas o foco maior da crítica foi relativo aquele que é, de certo, um dos pontos mais polêmicos do movimento, o que envolve a utilização da sexualidade e sensualidade femininas, que se coloca em especial nas questões da Pornografia e da Prostituição.

O Geledés acusa, com alguma precisão, o Feminismo Globista de ser do tipo que objetifica mulheres, apoia a regulação da prostituição, que está considerando como uma forma de opressão, e outras condutas que qualquer estudioso do assunto já sabe que são, de fato, controversas entre as próprias feministas.

Citando o artigo: “…a liberdade sexual das mulheres serve aos homens. Liberdade não é sobre transar na primeira noite e sim sobre não querer transar e não transar. A mulher “livre sexualmente e sem tabus” é vista como vantagem pelo imaginário masculino e machista. A partir do momento que a mulher se nega ao sexo, ela “sofre as consequências” disso. Pros homens pouco importa se você se sente livre ou não, o importante é que ele faça sexo com você.” Sendo então, sincero em sua péssima opinião e repúdio ao gênero masculino, o que não se vê no caso globista.

Porém nos, até a presente data, quase 800 comentários, se notou um severo contra ataque. A grande maioria, em grande parte notoriamente feminista, considerou o artigo exagerado ou insensível ao contexto, que embora tivesse algumas críticas acertadas não reconheceu os pontos positivos, que poderia ter sido mais compressivo, ou mesmo que foi totalmente equivocado.

Restou então evidenciada uma contenda interna ao Feminismo, na realidade a maior de todas, que pode levar alguns a ter dúvidas a respeito da coerência do movimento. Pode até entrar em tensão com o fato de que apesar de ser verdade que existam vários feminismos, se trata de verdade irrelevante, pois para qualquer efeito prático apenas um único tem real poder político, grande financiamento, penetração na sociedade tanto por meio da grande mídia quanto por empresas privadas ou órgãos governamentais, um Feminismo com ‘F’ maísculo.

Mas essa aparente controvérsia é facilmente explicável por quem já tenha examinado atentamento o assunto, e pode ser sintetizada pela simples ideia de que a única e real diferença entre o Feminismo Benevolente que se vê abertamente na mídia e aquilo que convencionou-se chamar Feminismo Radical, é que o Radical é sincero!

Feminismo
Benevolente X RADICAL

Abertamente propagandeado pela grande mídia, por grandes empresas e governos, temos aquilo que chamaremos de Feminismo Benevolente, cujas pautas são, a princípio facilmente aceitáveis para qualquer pessoa sensata e pouco informado sobre a real natureza do movimento. Quem poderia não ser contrário à violência contra a mulher? À misoginia, à desigualdades salariais arbitrárias ou quaisquer das pautas tão exaustivamente repetidas e às quais a grande maioria de nós ouve falar em uníssono desde sempre?

No entanto, mesmo a maioria dos que abertamente defendem essa versão do Feminismo estão cientes da existência do notório Feminismo Radical, com pautas bem menos populares onde se destacam o Feminismo Separatista, o Feminismo Lésbico, “Feminismo é a Teoria, Lesbianismo é a Prática”, o projeto de destruição da família “Não podemos destruir as desigualdades entre homens e mulheres enquanto não destruirmos o casamento.”, da maternidade “…enquanto a família e o mito da família e o mito da maternidade e o instinto maternal não forem destruídos, as mulheres continuarão a ser oprimidas.” ou mesmo a misandria descarada com propostas como redução da população masculina para 10% (Mary Daly / Sally Miller Gearhart) ou mesmo extermínio androcida total (Valerie Solanas).

Mas esse Feminismo Radical é colocado no seu devido lugar de anomalia exótica, no máximo perdoável enquanto resultante de mulheres perturbadas, tendo sido superado pelo Feminismo Benevolente ou Feminismo da Igualdade, que é, este sim abertamente defendido sem constrangimento.

Deste Feminismo Radical, as únicas pautas que vazam diretamente para o Feminismo Benevolente são justo essas relativas à sexualidade e sensualidade, causando então os maiores pontos de divergência interna, sendo justo por isso que se pode encontrar facilmente tanto feministas que apoiam quanto que condenam a prostituição mesmo quando de livre e espontânea vontade da mulher e em seu pleno benefício, e o mesmo se dá com a pornografia e com o uso em geral da sensualidade ou mesmo apreciação da beleza feminina.

De certo que o Feminismo apresentado no programa Amor & Sexo não é exatamente do mais bem comportado, visto sua abordagem visivelmente esdrúxula, sexualmente agressiva, e até mesmo insultosa. Isso até pode ser atenuado e justificado por uma característica estética apelativa que funcionaria como forma de chamar atenção para um causa em si legítima. Mas por outro lado é melhor explicado pelo simples fato de ser uma ponte clara entre o Feminismo Benevolente, pois suas pautas foram quase todas colocadas no programa, e o Feminismo Radical, explicando em parte a tensão e aparente divergência que se viu na postura da Globo e do Geledés.

UMA DIVERGÊNCIA ILUSÓRIA

Mas não é preciso ir muito longe para saber qual dessas tendência acaba prevalecendo. Basta observar o que já aconteceu em muitos países onde o Feminismo já é muito mais bem sucedido. A prostituição já foi proibida na Suécia, França e Bélgica. Não a oferta, para não incorrer no flagrante do movimento criminalizar justo o gênero que se propõe a defender, mas a procura, o que mesmo assim prejudica o trabalho das profissionais do ramo (no próprio programa Amor e Sexo uma prostitua militante feminista comentou seu combate a um projeto de lei similar no Brasil, aos 19:15). A Islândia já proibiu boates de Strip Tease. Inglaterra já proibiu vários modalidades de pornografia e o prefeito muçulmano de Londres uniu o moralismo islâmico com o feminista e proibiu cartazes com mulheres sensuais. E até na Argentina, em pleno governo liberal de Maurício Macri, os concursos de beleza tem sido abolidos, pois estariam estimulando uma “epidemia de feminicídios”!

Da mesma forma como Jacobinos venceram Girondinos e Bolcheviques venceram Mencheviques, no Feminismo, também, os Radicais sempre vencem os Moderados.

Mas o ponto ainda mais relevante é se comparamos os discursos dessas duas modalidades básicas de Feminismo e os resultados obtidos pelo movimento, e o que se nota é que os objetivos que o Feminismo Benevolente diz querer alcançar jamais são atingidos, sendo as próprias feministas a propagandear que a violência doméstica, os estupros, os assédios sexuais etc, permanecem ou mesmo aumentam não importa o quanto de políticas mais e mais invasivas se adote, a exemplo da nossa própria Lei Maria da Penha, que pegou uma modalidade criminal que vinha continuamente diminuindo há uma década mas, que após a aprovação da lei, voltou a subir.

Enquanto isso, os mesmíssimos objetivos flagrantemente declarados pelo Feminismo Radical vem sendo sistematicamente atingidos com notável sucesso, desde seu surgimento na década de 1960, o índice de divórcios aumentou explosivamente, e o número de casamento diminuiu. Legiões de crianças foram tiradas do convívio de seu pais, a mais efetiva forma de corroer o Patriarcado que se encontrou, o número de mães solteiras ou pais puramente pagadores de pensão atingiu nível antes impensáveis nas classes mais abastadas, a homossexualidade se expandiu, o aborto foi liberado na maioria dos países e as taxas reprodutivas despencaram.

Em suma, o mesmíssimo Feminismo Benevolente com suas nobres e louváveis pautas, conseguiu, com a implementação de suas políticas, apenas os objetivos do Feminismo Radical!

Ou melhor dizendo, NÃO HÁ DOIS FEMINISMOS! HÁ UM SÓ! Ele até pode apresentar uma face benevolente, mas sua essência continua com a mesmíssima radicalidade de antes.

A aparente e superficial contenda é apenas um efeito colateral inevitável do fato da maioria dos militantes e simpatizantes do Feminismo serem completamente ignorantes da natureza do mesmo, muitos ate agindo de boa fé, como inocentes úteis que trabalham em prol de causas que, se vissem em sua verdadeira natureza, repudiariam. Outros aceitam o que pensam ser outros “efeitos colaterais” de uma causa que no fundo é nobre, e por isso justificam os meios pelo fim. Outras são puramente hipócritas e fingem querer uma coisa quando no fundo querem outra bem diferente.

E por fim, temos as chamadas radicais. A únicas com perfeita ciência da natureza do Feminismo e plena sinceridade para confessá-lo.

Essas nunca terão voz na Globo, pelo simples fato de que lá não é lugar para se falar a verdade.

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Uma opinião sobre “Feminismo “Benevolente” e Feminismo Radical

  1. Pergunto-me quanto tempo vai demorar para isso desabar. Os Bolcheviques ficaram 70 anos no poder; o jacobinos menos de uma década. Sabe, às vezes penso que o Feminismo (radical) é como aquela antiga seita protestante dos “Shakers” nos EUA do começo do século XIX. Por pregar a castidade e separação entre os gêneros, ela só crescia com a adesão de novos membros. Quando a fonte secou (i.e. não se reproduziam mais memeticamente), foram progressivamente extintos pela senilidade (nunca se reproduziram geneticamente).

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